As conquistas do maestro negro

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Ser maestro da Filarmônica Afro Brasileira (FILAFRO), uma orquestra brasileira, fundada em 1998, é apenas uma das realizações alcançadas pelo músico Josoé Polia.
Um homem que respira música desde o ventre de sua mãe e que seguindo o que podemos chamar de tradição familiar, desde os 8 anos de idade tem tido o prazer de dedicar-se a uma profissão que em tempos remotos não permitia destaque aos negros que buscavam fazer dela sua fonte de renda.
 Afrobrasileiros – Como se deu seu envolvimento com a música?
Josoé Polia – Meu pai era músico e maestro e minha mãe coralista. A partir dos 9 anos, me interessei em aprender música formalmente.
Afrobrasileiros – Há algum estilo musical que seja de sua predileção?
Josoé Polia – Fui criado ouvindo todos os tipos de música. Amo música.
Afrobrasileiros – Quais foram seus passos na trajetória até se tornar um maestro?
Josoé Polia – Iniciei meus estudos musicais aos 8 anos de idade na igreja. Sou graduado em composição e minha formação musical inclui violino, flauta e piano. Assumi o cargo de Diretor Artístico e Regente do II Festival de Inverno de Ilha Solteira, Diretor de Música do Instituto de Artes de Penápolis e atualmente sou Diretor Artístico e Regente da FILAFRO. Reconhecido no ano 2000 com o Prêmio Brasil 500 anos; no ano de 2006 com o Prêmio Magnífico pela idealização e realização do projeto Musicalização Já; no ano de 2007 indicado à Guggenheim Foundation Fellowship (USA); no ano de 2012 compus juntamente com o cantor Che Leal, o Hino Oficial de Itaquera; em 2016 fui condecorado no grau de Comendador com o Mérito Cultural Carlos Gomes.
Afrobrasileiros – Quais são suas inspirações?
Josoé Polia – Ter orgulho da contribuição prestada a comunidade e instituições que trabalham em prol da população em geral.
Afrobrasileiros – O que a música trouxe para sua vida? Financeira e psicologicamente falando?
Josoé Polia – Tudo o que Deus havia prometido antes de eu nascer: prazer e alegria!
Afrobrasileiros – Você acredita que ainda hoje nossa sociedade permite apenas alguns espaços restritos para a ascensão do negro, como o esporte e a música?
Josoé Polia – Muita coisa tem sido feita, mas como a carência é muito grande, são necessárias a criação de vários clubes, universidades, novos empresários e instituições trabalhando em prol de justiça social.
Afrobrasileiros – O que representou em sua carreira as participações no Troféu Raça Negra?
Josoé Polia – Quando me pediram para reservar o Teatro Municipal para a primeira edição do Troféu fiz com muito prazer. Fico feliz em ver que o Troféu tenha conquistado prestígio internacional. Acredito que minha participação e da FILAFRO no Troféu sempre agregaram valor a ambos. Este tipo de evento, contribui para a autoestima do negro.