Página de moradores do Leblon que recebe patrocínio de empresas exibe postagens racistas

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Reprodução

Há quase um ano, a página do Facebook “Alerta Leblon” tem promovido postagens racistas e higienistas com relação a ocupação nos bairros nobres do Rio de Janeiro. No último dia 04, a página escancarou o preconceito em um dos seus posts, em que expõe fotos de homens negros andando pela praia do Leblon, os acusou de ladrões e alertou que todos os moradores devem ficar atentos ao “topar com eles”, orientando que os denuncie para a polícia.

Por medo da revolta e da indignação nas redes sociais, os administradores da página decidiram deletar o post. Militantes do movimento negro estão denunciado a página na Polícia Federal (PF) e na Safernet, que oferece um serviço de recebimento de denúncias de crimes e violações contra os Direitos Humanos na internet.

“As famílias dos rapazes negros que tiveram suas imagens expostas indevidamente e estão sendo caluniados através da página ‘Alerta Leblon , já tomaram conhecimento de que suas fotos estão sendo veiculadas e estão devidamente assessorados juridicamente”, afirmou a advogada Laura Astrolabio dos Santos, em suas redes sociais.

O administrador da página, Pedro Froes da Silva, em resposta as denúncias, publicou um meme de uma pessoa tomando champanhe e dizendo que estava “Aqui deboas esperando os processos”, e que assim que os homens denunciados como ladrões fossem para a delegacia, não sairiam mais de lá. Esta publicação também foi excluída, mas é possível vê-la neste print enviado ao Justificando:

O curioso é que a página, além de promover este tipo de publicação, também promove marcas e restaurantes. No dia 07 de fevereiro, o administrador publicou um vídeo em que anunciava uma parceria com o Cabify, empresa de transporte particular, que presenteou todos os seguidores das páginas alertas com um crédito em corridas de R$ 20, quase 60 mil pessoas.

Após a repercussão do caso, Froes recuou e divulgou um vídeo negando que a exposição das pessoas era racismo. Para ele, a função do post era sinalizar como “bandido” quem você tinha confirmação que fez algo errado e aí sim sinalizá-la como meliante, como bandido, é a função desse post. “Não sou racista, se eu fosse você acha que eu estaria vivo? Vocês acham que a minha página seria uma das principais referências da cidade em notícia [se eu fosse racista] ?” – questionou.