Na Trilha da História: Saiba mais sobre as raízes do carnaval no Brasil

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Confira a entrevista especial de carnaval com o historiador André Diniz, autor de “O Almanaque do carnaval”. Ele comenta a origem dessa festa tão querida pelos brasileiros.

Sonora: “Enquanto festa, enquanto entretenimento, reunião de pessoas para beber, brincar e curtir, essas festas ocorrem desde a antiguidade. Mas o carnaval moderno que a gente conhece é marcado por essa definição da Igreja Católica da quaresma, onde você dá um adeus à carne, você entra em penitência 40 dias, em que não pode haver nenhum abuso, com seu corpo, comilança… Então é o ‘carnavale’, como se diz, ‘o adeus à carne’! São quatro dias de folia para se preparar para a quaresma.”

Uma das formas mais antigas de curtir o carnaval no Brasil é o entrudo. No século XIX, a brincadeira conquistou até os imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II.

Sonora: “Você tinha, por exemplo, o entrudo, em que você tacava limão de cheiro nas pessoas…De cheiro bom não tinha nada.”

Em 1855, começaram a surgir as sociedades carnavalescas.

Sonora: “Sociedades carnavalescas eram grupos que desfilavam, muitos ligados à classe média, pequena burguesia, oriundos de clubes republicanos… as sociedades carnavalescas eram referência na luta republicana e abolicionistas. Eles iam para rua mostrar sua beleza e competição. Eles competiam nos salões, nos bailes, mas competiam na rua também desfilando, com carros alegóricos.”

E se as sociedades carnavalescas conquistaram os burgueses brancos, os ranchos atraíam os negros.

Sonora: “Os ranchos eram desfiles muito luxuosos, com a participação dos afrodescendentes da cidade, onde eles tinha uma tradição muito forte de respeito a essa comunidade afrodescendente baiana, sobretudo no centro do Rio. Eles vão ter uma instrumentação principalmente de sopro e de cordas, eles não tinham instrumento de percussão. As músicas eram muito melodiosas. Então, nós vamos ter no futuro o surgimento das escolas de samba a partir da fusão das sociedades carnavalescas, formada pela classe média aburguesada, e dos ranchos, que vão ser ligados a uma camada mais popular, a uma camada mais afrodescendente da sociedade carioca.”

Até o finalzinho do século XIX, não havia um estilo típico de música do carnaval. Quem mudou isso foi a pianista e compositora Chiquinha Gonzaga!

Sonora:”A Chiquinha acompanhava da casa dela o compasso dos desfiles do carnaval e ela compõe o que vai ser chamado de marchinha. “Ô Abre alas” foi a primeira música composta para o carnaval. Antes, tocava-se de tudo no carnaval. Você podia ouvir uma ópera, uma polca, uma quadrilha. Com “ô Abre Alas”, em 1889, e com “Pelo Telefone”, em 1917, você começa uma produção para o carnaval.”