Oscar 2017 e a questão da diversidade

Nenhum negro foi indicado para as principais categorias da premição em 2016. Neste ano, após mudanças na Academia, há 18 candidatos

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Os negros estavam ocupados sendo linchados', ironizou o apresentador Chris Rock em 2016. Foto: Kevin Winter / Getty Images / AFP

Várias instituições culturais dos Estados Unidos estão enfrentando questionamentos sérios: quem são os membros desses comitês que decidem os prêmios? Essas pessoas realmente representam os artistas e a sociedade?

Apelos por mais diversidade não são novidade, mas eles se tornaram mais urgentes na sequência da última premiação do Oscar. Depois de mais um ano de indicações dominadas por brancos, de protestos sob a hashtag #OscarsSoWhite (Oscars tão brancos) e de boicotes, tornaram-se ainda mais veementes as reivindicações para que a diversidade observada na sociedade se reflita nos filmes.

Tudo começou em 2016 com o apelo emocional num vídeo publicado no Facebook em 18 de janeiro, o dia em que se celebra Martin Luther King Jr. A atriz Jada Pinkett Smith declarou: “Implorar por reconhecimento, ou mesmo pedir, diminui a dignidade e diminui o poder. E somos pessoas dignas e somos poderosos, e não podemos esquecer isso.”

Ao falar em “nós”, ela se referia aos artistas negros de Hollywood, lançando um desafio à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Ampas).

#OscarsSoWhite viralizou, chamando a atenção para o problema gritante da falta de diversidade em Hollywood. Cheryl Boone Isaacs, negra e presidente da academia desde 2013, logo anunciou mudanças radicais na política de filiação da organização.

À época, a Ampas tinha cerca de 6 mil membros de diferentes setores da indústria cinematográfica, incluindo produtores, diretores, maquiadores, engenheiros de som, figurinistas e atores. Três quartos eram homens, nove em cada dez eram brancos.

Outras minorias em compasso de espera
Isaacs fez o que pôde para promover a inclusão desde que assumiu a presidência da Academia. No entanto a celeuma de 2016 precipitou uma reforma imediata e radical: a filiação à Academia não é mais vitalícia e sim limitada a dez anos. Membros que não se envolverem em projetos cinematográficos nesse período perdem o direito a voto. Além disso, o quadro de eleitores foi acrescido de 638 novos membros, tendo a diversidade como critério.

As mudanças se refletiram nas indicações para o Oscar, que este ano estão mais diversas. O veterano Denzel Washington (Um limite entre nós) e Ruth Negga (Loving), de 35 anos, concorrem aos prêmios de melhor ator e atriz, respectivamente.

Das indicações de ator/atriz coadjuvantes constam cinco profissionais “de minorias”: Dev Patel (Lion: Uma jornada para casa), Mahershala Ali e Naomie Harris (Moonlight: Sob a luz do luar), Octavia Spencer (Estrelas além do tempo) e Viola Davis (Um limite entre nós).

Davis é a primeira atriz negra a ser indicada ao Oscar pela terceira vez. Já o diretor de Moonlight, Barry Jenkins, é o primeiro negro a ser indicado tanto para melhor diretor quanto pelo melhor roteiro adaptado. Além disso, cineastas negros foram indicados pela primeira vez em áreas como fotografia e edição.

Então está tudo bem? Calma lá: os artistas de origem latina e asiática continuam de fora, quando se trata do Oscar. Ainda há muito a ser feito, sobretudo quando se trata de representar outras minorias.