A MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo faz sua 4° edição

A Mostra terá abertura no dia 14 de março no Theatro Municipal de São Paulo e se estende até o dia 21. Nessa nova edição são 31 sessões, de 10 espetáculos, dos quais sete são internacionais e três nacionais, de seis países diferentes, além de uma extensa programação reflexiva e pedagógica

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Cena do espetáculo belga “Avante, Marche!” que abre a quarta edição da MITsp no Theatro Municipal de São Paulo

A MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo tem programada sua quarta edição para o período de 14 a 21 de março de 2017 na cidade de São Paulo. Serão 10 espetáculos de países como Alemanha, Chile, Líbano, Bélgica, África do Sul e Brasil, que acontecerão em vários locais da cidade, como o Theatro Municipal de São Paulo – onde será realizada a abertura da programação.

A quarta edição da MITsp tem apresentação do Ministério da Cultura, Banco Itaú e do Sesc SP. O evento é realizado pela Ecum Central de Produção, Olhares Instituto Cultural, Itaú Cultural, Sesc SP, Ministério da Cultura – Governo Federal e correalizado pela Secretaria Estadual de Cultura – Governo do Estado de São Paulo e Centro Internacional de Teatro Ecum – CIT Ecum. A mostra de 2017 ainda tem o patrocínio do Banco Itaú e Asus e copatrocínio da Sabesp, Smart, Goethe-Institut e Federal Foreign Office.

Após três anos de edições consecutivas, um perfil se mostra recorrente no panorama da MITsp: cerca de 65% da programação é constituída por ações formativas e reflexivas, sempre com entrada gratuita. Já foram contabilizadas, ao longo desse período, quase 4500 pessoas como público para tais atividades.

Mais de 70 pesquisadores – curadores, intelectuais, artistas – provenientes de 11 países (Bélgica, França, Espanha, Líbano, Palestina, Alemanha, EUA, México, Chile, África do Sul e Brasil) estarão envolvidos em 83 ações pedagógicas e reflexivas da mostra.

A quarta edição da MITsp e seus eixos

A primeira edição da MITsp aconteceu em março de 2014, depois que Antônio Araújo, diretor do Teatro da Vertigem e Guilherme Marques, diretor geral do CIT-Ecum – Centro Internacional de Teatro Ecum, desejaram e sonharam com uma mostra voltada às artes cênicas para a cidade de São Paulo que pudesse trazer alguns trabalhos significativos do cenário internacional, centrados na experimentação e na investigação. Desse anseio e necessidade nasceu a MITsp. Os dois atuam, na mostra, como diretor artístico e diretor geral de produção, respectivamente.

Passadas três mostras, os olhos voltam-se, agora, para a MITsp de 2017, que traz em si a experiência e o espírito arrojado das edições anteriores e o desejo de ver novas montagens se concretizar nos teatros de São Paulo. Todos os sete espetáculos internacionais são inéditos no Brasil, alguns nunca se apresentaram na América do Sul (“Por que o Sr. R. Enlouqueceu?”) e outros sequer estiveram na América Latina (“Avante, Marche!” e “Black Off”, por exemplo). A mostra ainda contempla três espetáculos brasileiros, desses, dois são inéditos e o terceiro é o trabalho mais recente da coreógrafa Lia Rodrigues, que estreou seu trabalho no Rio de Janeiro, no Complexo da Maré, mas que pisa em solo paulista pela primeira vez.

Dois eixos se evidenciam nesse ano: o protagonismo negro/autodeterminação e o teatro documentário. “Black Off” (Black Off), de Ntando Cele, da África do Sul e os brasileiros “A Missão em Fragmentos: 12 cenas de descolonização em legítima defesa”, direção de Eugenio Lima e “Branco: o cheiro do lírio e do formol”, com dramaturgia de Alexandre Dal Farra compõem a programação voltada ao primeiro eixo, que pretende, a partir dessas obras, rever processos sociais históricos de exclusão e de racismo e seus reflexos na construção da “persona negra” no âmbito das linguagens artísticas. Ainda complementa a programação o Seminário “Discursos sobre o Não Dito: Racismo e a Descolonização do Pensamento“ com curadoria de Eugênio Lima e Majoí Gongora. Para o segundo eixo, do teatro documentário, a mostra convidou três trabalhos de Rabih Mroué (que a MITsp tenta trazer há quatro anos, desde a primeira edição), em uma mostra específica dentro da MITsp: “Tão Pouco Tempo” (So Little Time), “Revolução em Pixels” (Pixelated Revolution) e “Cavalgando Nuvens” (Riding on a Cloud). Ainda nessa linha curatorial tem a peça “Mateluna” (Mateluna), escrita e dirigida por Guillermo Calderón.

Um terceiro eixo se mostra reincidente nas edições da mostra: a mistura de várias áreas artísticas diferentes em espetáculos que reúnem hibridismo de linguagem, juntando teatro, dança, música, artes visuais, instalação e cinema, caso de “Avante, Marche!” (En Avant, Marche!) direção de Alain Platel e Frank Van Laecke, da companhia les ballets C de la B, “Por que o Sr. R. Enlouqueceu?” (Warum läuft Herr R. Amok?), direção de Susanne Kennedy e produção da Münchner Kammerspiele e “Para que o Céu não Caia”, da Lia Rodrigues Companhia de Danças, espetáculo estreado na Alemanha, em Dresden e já apresentado em várias cidades da Europa, como Hamburgo, Potsdam, Berlim, Frankfurt, Düsseldorf, Grenoble e Toulouse.

Olhares Críticos, Ações Pedagógicas e Performances Públicas

Com curadoria de Luciana Romagnolli e Kil Abreu, Olhares Críticos faz reflexões sobre as dimensões públicas da crise e formas de resistência, inquietação central da MITsp em 2017. Quatro mesas de debate e duas palestras contemplam aspectos complementares dessa perspectiva: o viés político e o artístico, a representação pública, o espaço público e a relação com o público. A ideia é reforçar a importância das reflexões estético-políticas sobre o cenário atual. Outras ações ainda estão previstas para acontecerem: os Diálogos Transversais, o Percursos em Perspectiva, o Espaço de Ensaios e a Prática da Crítica.

Nas Ações Pedagógicas, que tem curadoria de Maria Fernando Vomero,as atividades previstas contemplam não só a partilha dos processos de criação de convidados estrangeiros, mas também propõem um diálogo com temas urgentes da realidade nacional. Uma residência artística com o diretor e ator palestino Ihab Zahdeh, do Yes Theatre, de Hebron (Cisjordânia), e mais três workshops estão programados nesse eixo: um com o encenador libanês Rabih Mroué, outro com o diretor musical e compositor Steven Prengels, da companhia les ballets C de la B e o terceiro com Ntando Cele, atriz e performer sul-africana, que estará à frente do workshop “Expressar-Me para Além da Minha Pele”. Ações performáticas de estudantes secundaristas, sob a orientação da atriz e performer Martha Kiss Perrone  e uma roda de conversa  com as alemãs Susanne Kennedy, diretora de Por Que o Senhor R. Enloqueceu? e a dramaturgista Johanna Höhmann complementam as atividades previstas para as ações pedagógicas dessa edição da MITsp.

As Performances Públicas apresentam os “Manifestos Pandemia”, ação que parte da publicação da caixa Pandemia, pela n-1 edições, que reúne dez cordéis publicados ao longo de 2016, e uma adaptação de Eugênio Lima para o texto A Missão de Heiner Müller. Cada cordel será lido por um ator diferente em várias regiões da cidade.

Mostra de Espetáculos

Espetáculos internacionais

Os diretores belgas Alain Platel e Frank Van Laecke, juntamente com o compositor Steven Prengels, da companhia les ballets C de la B, fazem em “Avante, Marche!” (En Avant, Marche!) uma fusão de música, dança, teatro e performance, em um espetáculo cenicamente bastante impactante. A companhia é uma das mais importantes da dança no mundo e abre a quarta edição da MITsp no Teatro Municipal de São Paulo, no dia 14 de março. A escolha desse espetáculo para a abertura reflete o caráter híbrido e expandido da mostra desde a sua primeira edição.

“Avante, Marche!” é um espetáculo que fala da vida de um coletivo de indivíduos a partir de uma orquestra de metais, todos eles muito diferentes entre si, e que buscam manter-se num único e distinto andamento, por vezes, pelo método de tentativa e erro – uma metáfora para nosso tempo. No palco, quatro atores e sete músicos serão acompanhados por 18 instrumentistas brasileiros, sob direção do maestro Carlos Moreno. Alain Platel põe no palco música dos séculos XIX e XX, de Ludwig Van Beethoven, Giuseppe Verdi, Gustav Mahler, entre outros, para contar a história de um trombonista que, por conta de sua doença, precisa se despedir de seu instrumento musical e se recolher para as fileiras de trás da banda, munido de dois címbalos. Lá no fundo da orquestra, há a possibilidade latente de um novo amor. Mas ele rejeita: o amor traz muitas reminiscências da vida. “Avante, Marche!” encena a partida de um membro de um grupo, o que suscita uma ideia que às vezes nos atrevemos a imaginar: a do nosso próprio funeral. Trata-se de uma fantasia cênico-musical, focada no espaço vazio que deixamos para trás, o desejo de ser visto e considerado pela comunidade, ser reconhecido e honrado.

Ator de teatro, dramaturgo e artista visual, Rabih Mroué traz do Líbano três espetáculos para a MITsp: “Tão Pouco Tempo” (So Little Time), “Revolução em Pixels” (Pixelated Revolution) e “Cavalgando Nuvens” (Riding on a Cloud). Nascido em 1967, em Beirute, Mroué é um artista cujas obras são projetadas para parecer improvisadas, em andamento, refletindo seu contínuo tema de indagação, focadas mais em provocar o pensamento, sempre juntando questões pessoais com outras, de ordem social, evidenciando um elemento macro político a partir de memórias pessoais. Mroué funde vídeo, performance e teatro em suas obras, que chamam a atenção para o contexto político e econômico mais amplo. Ao misturar realidade e ficção, ele usa documentos encontrados, imagens de vídeo, fotografias e objetos para questionar a autoridade da evidência do arquivo.  Escrevendo no The New York Times sobre o grupo de teatro de Mroué, Kaelen Wilson-Goldie comentou que “(…) eles são para Beirute o que o Wooster Group é para Nova York: uma mistura de inovação de vanguarda, complexidade conceitual e urgência política, tudo fincado em um humor próprio”.

Em “Tão Pouco Tempo” (So Little Time),a atriz Lina Majdalanie, esposa de Rabih, está em um palco todo preto, quase vazio, não fosse a mesa com as caixas contendo fotografias de um mártir. Ela fala laconicamente sobre troca de prisioneiros, restos mortais de soldados e o cadáver de Deeb Al Asmar, um mártir islâmico ficcional, para o qual foram erguidos monumentos. Nas caixas, as fotos manuseadas por Lina vão perdendo a cor, mergulhadas em um líquido. Anos depois, o mártir volta à cidade e aparece a questão: estando vivo, ainda continua ele a ser um herói? É a partir dessa situação absurda que Mroué e Lina fazem um jogo inteligente, engraçado e irônico em um estúdio de fotografia. Ao fazer a desconstrução desse personagem morto, mas depois vivo, o diretor questiona a fascinação por imagens de líderes mortos, muitas vezes mais interessantes do que quando estão vivos. Desde suas primeiras peças, Rabih Mroué perscruta a história de seu país, o Líbano, explorando os pontos de junção e atrito entre a realidade e a ficção, a história real e seus mitos, o palco e suas ilusões.

“Revolução em Pixels” (Pixelated Revolution) tem o formato de uma “palestra não acadêmica”, onde trata de questionar a forma como usamos ferramentas digitais para documentar e registrar eventos – no caso, o início da revolução síria, que Mroué define como os primeiros dias em que os manifestantes estavam desarmados, em contraposição à guerra civil de hoje, em que todos os lados carregam armas. Quando a revolução começou na Síria, os manifestantes logo perceberam que, como os jornalistas estrangeiros eram proibidos ali, cabia a eles documentar, fotografar e filmar eventos no terreno, para combater a propaganda do regime de Assad. Era um “tiroteio duplo” – civis miravam suas câmeras de celulares nos atiradores do Exército em uma tentativa de registrar e também intimidá-los ao postar suas ações na web. Para “Revolução em Pixels”, Rabih Mroué escolheu imagens do YouTube, em seguida fez zooms para examinar características, e quanto mais procurava a identidade da imagem, mais ela se tornava abstrata. No espetáculo, ao lado das filmagens e fotografias apresentadas, Mroué dá uma palestra que investiga as muitas questões que cercam a gravação dos manifestantes sírios de sua própria realidade para o resto do mundo. Em cena, Mroué desempenha o papel de seletor, intérprete e comentarista tentando entender melhor a complexidade do contexto político sírio.

Em “Cavalgando Nuvens” (Riding on a Cloud), o ator Yasser Mroué, irmão de Rabih, entra no palco com um andar desigual, e usa apenas a mão esquerda para alterar os DVDs para a exibição dos vídeos. Baleado por um atirador na cabeça aos 17 anos, Yasser carrega algumas sequelas da violência, tão comum a tantos outros indivíduos no Líbano. Mesmo tendo superado grande parte de suas deficiências, o que ficou danificado não foi apenas sua capacidade de processar a linguagem, mas também seu reconhecimento de imagens: ele se tornou incapaz de identificar as pessoas nas fotografias, e também relacionar a imagem de uma caneta com uma caneta real, por exemplo. Foi assim que começou a fazer arte: com o encorajamento de seu médico, pôs-se a fazer pequenos vídeos para aprender essa associação, mesclados no palco com o relato de suas memórias – para formar uma imagem subjetiva dos acontecimentos políticos no Líbano. Cavalgando Nuvens também descreve a frágil construção de uma biografia, que aflora entremeada pela realidade política, pelas memórias, pelos fatos e pela ficção. Para Mroué esse é sempre o ponto de partida para a autorreflexão artística, que ele, então, transpõe para o teatro.

Ntando Cele é uma atriz, cantora e performer de Durban, na África do Sul e vem pela primeira vez ao Brasil apresentar sua mais recente performance-concerto “Black Off” (Black Off). Cele também é ativista, engajada na questão negra, não só em seu país, mas em outras partes do mundo. A artista cria obras sobre uma plataforma multidisciplinar e já apresentou seus trabalhos na África do Sul e em várias cidades e festivais da Europa e da África. Com estilo pessoal e linguagem única, seu trabalho se realiza nas fronteiras do teatro, das instalações de vídeo, do “stand-up comedy” e da performance. Com muito humor e carisma, Ntando Cele lida, em seus projetos, com a identidade do negro e do branco, e com a questão do racismo, sob várias perspectivas. Ntando Cele combina em Black Off suas duas performances anteriores, Face Off e Black Notice. No primeiro solo, ela fez a pergunta: Qual é a diferença entre uma mulher negra na África do Sul e uma mulher negra na Europa? Quais são os preconceitos e os estereótipos? Combinando música, texto e imagens de vídeo, ela faz reflexões sobre a própria pele, faz perguntas sobre os papéis que desempenhamos, os que aceitamos, e as máscaras que escolhemos para vestir. No segundo espetáculo, fala sobre temas semelhantes, porém de forma mais direta. Bianca White, alter ego de Cele, tenta tornar o mundo branco e fácil de entender por meio de terapia e meditação e é Bianca quem conduz Black Off. A personagem é uma comediante sul-africana, viajante do mundo e filantropa, que julga saber tudo sobre negros em todo o planeta e quer ajudá-los a superar a sua “escuridão interior”. Ntando Cele, na pele de Bianca White, aborda os estereótipos racistas e questiona se existe a possibilidade de mulheres negras serem “apenas” artistas ou se elas sempre carregam o fardo da raça e do gênero no que quer que façam. O espetáculo é uma mistura de comédia stand-up, concerto e performance.

A Alemanha volta à MITsp com Por que o Sr. R. Enlouqueceu?” (Warum läuft Herr R. Amok?), com direção de Susanne Kennedy e produção da Münchner Kammerspiele, um dos teatros mais importantes no contexto cênico alemão. Em seus filmes, Rainer Werner Fassbinder sempre foi fascinado pelas patologias da vida cotidiana. Nesse filme, produzido em colaboração com Michael Fengler em 1970, essa busca foi levada a extremos. “Por que o Sr. R. enlouqueceu?” é a história de um homem  comum que faz tudo o que se espera dele em todas as áreas da sua vida. E, ao assim fazê-lo, ele se perde. Uma vaga e tácita agressividade começa secretamente a se desenvolver nesse vazio. E se direciona contra um mundo determinado pelo preconceito e pela frustração. Através de uma série de decepções e pequenas derrotas, Fassbinder mostra como a vida cotidiana se transforma em um inferno, como um homem comum pode se tornar um monstro. Na montagem teatral de Susanne Kennedy, o palco é uma caixa quadrada, forrada de madeira clara, sem muitos objetos a não ser uma planta de borracha e um balcão, com personagens que lembram marionetes, com rostos plastificados em látex e fala pausada. O espetáculo evidencia imagens de situações cotidianas em sua banalidade decepcionante e as suas estruturas de poder implícitas.

Aobra chilena “Mateluna” (Mateluna), escrita e dirigida por Guillermo Calderón, descreve o horror da injustiça e como a história recente se negou a dignificar a vida dos que lutaram contra a ditadura. Em 2013, Jorge Mateluna colaborou na criação do espetáculo Escuela (Escola), apresentado na primeira edição da MITsp (2014). A peça versava sobre as escolas de guerrilha urbana na década de 1980 e sobre um grupo de militantes de esquerda que recebia treinamento paramilitar para resistir e derrubar a Ditadura Militar no Chile. Em 2016, Calderón resolveu fazer uma continuação de Escuela, desta vez centrando-se unicamente na história do guerrilheiro Mateluna, preso pela polícia no ano passado a alguns quarteirões de distância do local onde ocorreu um assalto a um banco. Acusado de ser um dos assaltantes, Jorge Mateluna está preso, condenado a dezesseis anos de prisão. Mateluna estreou em outubro de 2016 em Berlim, no Festival A estética da Resistência – Peter Weiss 100, do teatro HAU Hebbel am Ufer. O dramaturgo e encenador chileno Guillermo Calderón é uma das vozes mais singulares e influentes do novo teatro político latino-americano.

Espetáculos nacionais

Do Rio de Janeiro vem “Para que o Céu não Caia”,de Lia Rodrigues, espetáculo estreado na Alemanha, em Dresden – onde foi finalizado durante uma residência artística – e na sequencia apresentado em Hamburgo, Potsdam, Berlim, Frankfurt e Düsseldorf como parte do Projeto Brasil. Logo após, foi apresentado no Festival Montpellier Danse, na França, e depois em Grenoble e Toulouse. O espetáculo nasceu a partir de um questionário afetivo e encontros que os bailarinos da Lia Rodrigues Companhia de Danças, junto com os jovens do Núcleo 2 da Escola Livre de Danças da Maré, tiveram com mais de cem pessoas no bairro carioca, onde Lia Rodrigues está estabelecida há 13 anos. Os encontros/respostas dos moradores, somados à performance nas ruas da Maré pela campanha Jovem Negro Vivo, da Anistia Internacional, foi o que iniciou a criação dessa obra. Inspirada nos livros “Há mundo por vir?”, de Deborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro e “A queda do céu”, do xamã Davi Kopenawa, a coreógrafa põe em cena o impacto humano na terra e o que podemos fazer para impedir “que o céu não caia” sobre nós. O mito do fim do mundo, relatado pelo Kopenawa, diz que, rompida a harmonia da vida no universo, o céu – que no idioma Yanomami é entendido por “aquilo que está acima de nós” – desaba sobre todos os que estão abaixo e não apenas sobre os povos das florestas. Diante das drásticas mudanças climáticas que escurecem o futuro, o que nos resta a fazer? Como imaginar formas de continuar e agir? O que cada um de nós pode fazer para, a seu modo, segurar o céu?

Na edição de 2016, a MITsp teve em sua programação a performance Em Legítima Defesa, que ocorreu no CCSP – Centro Cultural São Paulo, Theatro Municipal e Itaú Cultural. Agora, em 2017, a partir de A Missão: Lembrança de uma Revolução, de Heiner Müller, 15 performers negrxs – atores, atrizes, músicos, djs, diretor e mais outros autores da diáspora negra, com dramaturgia de Claudia Schapira, executam o espetáculo “A Missão em fragmentos: 12 Cenas de Descolonização em Legítima Defesa”,com direção de Eugênio Lima. Na montagem, três emissários da Convenção francesa viajam no inverno de 1798/99 para a colônia inglesa, a Jamaica, para ali organizarem uma revolta dos escravos: Debuisson, filho de Senhor de Escravos, Galloudec, um quase-branco, o intérprete e Sasportas, um negro. Assim que estabeleceram as primeiras conexões, foram alcançados pela notícia de que Napoleão havia tomado o poder no dia 9 de novembro de 1799. Debuisson interrompe os preparativos. Acreditava estar agora sem o apoio do novo regime, trai seus companheiros de viagem entregando-os à coroa Britânica. Legítima Defesa é um grupo de artistas/atores/atrizes de ação poética e política, da imagem da “negritude”, seus desdobramentos sociais históricos e seus reflexos na construção da “persona negra” no âmbito das linguagens artísticas. Com essa ação, o coletivo abre um diálogo com outras vozes poéticas que tenham a reflexão e representação da “negritude” como tema e pesquisa. Esse ato de guerrilha estética surge da impossibilidade, surge da restrição, da necessidade de defender a existência, a vida e a poética.

Com dramaturgia de Alexandre Dal Farra – que divide a direção do espetáculo com Janaína Leite – a MITsp faz a estreia de “Branco: o cheiro do lírio e do formol”. Com anseios e pesquisas artísticas que se somavam em outros trabalhos, Dal Farra se uniu a André Capuano, Clayton Mariano e Janaina Leite (que também dirige o espetáculo) para colocar em cena uma obra que pretende abordar diversos pontos de vista sobre questões relacionadas à branquitude. A ideia é abordar criticamente o lugar do branco na sociedade brasileira enquanto figura socialmente construída, ativa na estruturação de uma sociedade racista.

Programação

A Missão em Fragmentos: 12 cenas de descolonização em legítima defesa (Brasil)

Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer | Dias 17 e 18/03, às 21h e 19/03, às 18h

Duração: 120 min | Recomendação: 16 anos

Sinopse: O grupo Legítima Defesa, criado na MITsp 2016, decidiu enveredar pelo texto A Missão – lembranças de uma revolução, de Heiner Müller, assumindo a premissa de que não trair o autor seria o mesmo que negá-lo. Três emissários da Convenção Francesa – Debuisson, filho de senhor de escravos, Galloudec, um “quase-branco”, e Sasportas, um negro – vão à Jamaica, colônia inglesa, para organizar uma revolta dos escravos no inverno de 1798/1799. Assim que estabelecem as primeiras conexões, foram alcançados pela notícia de que Napoleão havia tomado o poder no dia 9 de novembro de 1799. Debuisson então interrompe os preparativos: acreditando não ter o apoio do novo regime, trai seus companheiros Sasportas e Galloudec, entregando-os à coroa Britânica. Em A Missão em Fragmentos: 12 cenas de descolonização em legítima defesa, 15 performers negros, atores, atrizes, músico, DJ e diretor, estão em cena. Diferentes autores são utilizados no espetáculo, no intuito de confrontar, articular e reafirmar outras visões e paradigmas. O grupo propõe a necessidade de alterar o narrador e também a narrativa, assim como a maneira de contá-la. Defende a descolonização e a voz dos mortos, já que as causas que os mataram estão vivas.

Ficha técnica: Diretor: Eugênio Lima / Elenco: Eugênio Lima, Walter Bathazar, Gilberto Costa, Luz Ribeiro, Junior Cabral, Mawusi Tulani, Jhonas Araújo, Renato Caetano, Palomaris Mathias, Tatiana Rodrigues Ribeiro, Nádia Bittencourt, Thereza Morena, Fernando Lufer, Luiz Felipe Lucas e Luan Charles / Produção: Maia Gongora / Dramaturgia: Claudia Schapira / Preparação Corporal e Coreografia: Luaa Gabanini / Preparação Vocal e Spoken Word: Roberta Estrela D’Alva / Direção Musical: Eugênio Lima e Neo Muyanga / Música: Eugênio Lima, Neo Muyanga, Roberta Estrela D’Alva, Luan Charles e Renato Caetano /Consultoria Artística: Daniel Lima / Cenário: Arianne Vitale/ Fotografia e arte: Cristina Maranhão / Vj/ Audiovisual: Astronauta Mecânico / Animação: Beto Bassi / Luz: LabLUXZ_por Paulinho Fluxus e Diogo Terra / Figurino: Claudia Schapira / Desenho em cena: Renato Caetano / Operador de som: Doutor Aeilton

Avante, Marche! (En avant, marche!) (Bélgica)

Theatro Municipal de São Paulo | Dias 14/03, às 21h (para convidados) e 15 e 16/03, às 20h

Duração: 100 min | Recomendação: 12 anos

Sinopse: Os diretores Alain Platel e Frank Van Laecke trabalharam com o compositor Steven Prengels nesta produção que leva ao palco quatro atores e sete músicos, aqui na MITsp acompanhados ainda por musicistas brasileiros, sob a regência do maestro Carlos Eduardo Moreno, que já foi regente da Orquestra Experimental de Música de São Paulo e do Theatro Municipal de São Paulo. No espetáculo, uma banda de metais serve como metáfora à sociedade: uma organização que se mantém da melhor maneira possível, por vezes, pelo método de tentativa e erro. Nesse sentido, há lugar para todos os tipos de pessoas nesse pequeno mundo unido pela música, onde as regras e tradições são passadas de geração em geração. Avante, Marche! dialoga com a peça O homem com a flor na boca, de Pirandello, de 1922, na figura de um trombonista que, por conta de sua doença, precisa se despedir do seu instrumento musical e se recolher às últimas fileiras da banda. Um homem que faz parte de um grupo, mas que, como resultado de sua doença, é lançado na maior solidão imaginável: o confronto com a própria mortalidade.

Ficha técnica: Diretores: Frank Van Laecke e Alain Platel / Composição e Direção Musical: Steven Prengels /Criada e Interpretada por: Chris Thys, Griet Debacker, Hendrik Lebon, Wim Opbrouck, Gregory Van Seghbroeck (tuba barítono), Jan D’Haene (trompete), Jonas Van Hoeydonck (trompete), Lies Vandeburie (clarim), Niels Van Heertum (eufônio), Simon Hueting (trompa), Witse Lemmens (bateria), Steven Prengels (maestro) / Participação: músicos brasileiros, sob a regência do maestro Carlos Eduardo Moreiro  / Dramaturgia: Koen Haagdorens / Design de Luz: Carlo Bourguignon / Design de Som: Bartold Uyttersprot / Concepção: Luc Goedertier / Figurino: Marie ‘Costume’ Lauwers / Estagiário: Wim Van de Cappelle / Produção Executiva: Valerie Desmet / Gerência da Turnê: Steve De Schepper / Produção: NTGent e les ballets C de la B / Coprodução: La Rose Des Vents (França), TorinoDanza (Itália), Teatro Nacional de Chaillot (Paris, França), Les Théâtres de la Ville de Luxemburgo (Luxemburgo), Festspielhaus St. Pölten (Áustria), Ludwigsburger Schlossfestspiele (Alemanha), Festival Printemps des Comédiens Montpellier (França), Teatro Nacional da Croácia Zagreb (Croácia), Maillon, Teatro de Estrasburgo (França), GREC-Festival de Barcelona (Espanha), KVS Bruxelas (Bélgica), Festival Brisbane (Austrália), Théâtre Vidy-Lausanne (Suiça) / Distribuição: Frans Brood Productions Com o apoio da cidade de Gante, província de Flandres Oriental, e das autoridades Flamengas.

Black Off (África do Sul)

Itaú Cultural | Dias 18, 20 e 21/03, às 19h e 19/03, às 15h e 19h – Grátis

Duração: 100 min | Recomendação: 15 anos

Sinopse: Ntando Cele, nascida na cidade de Durban, na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, aborda e enfrenta estereótipos racistas em Black Off. Na primeira parte do espetáculo, a performer e atriz assume o seu alter ego intitulado Bianca White, uma comediante sul-africana, viajante do mundo e filantropa, que julga saber tudo sobre negros no mundo inteiro e ainda quer ajudá-los a superar a sua “escuridão interior”. Na segunda parte, Ntando Cele lida com estereótipos de mulheres negras e tenta descobrir como o público a vê. Existe a possibilidade de mulheres negras serem “apenas” artistas ou elas sempre carregam o fardo da raça e do gênero em qualquer coisa que façam? O espetáculo se estrutura como uma mistura de comédia stand-up, concerto e performance.

Ficha técnica: Diretor: Ntando Cele / Autor: Ntando Cele/ Raphael Urweider  / Produtor: Manaka Empowerment Productions  /Performance e Vídeos: Ntando Cele /Composição/Música: Simon Ho /Música: Patrick Abt, Pit Hertig / Texto/Codireção: Raphael Urweider /Iluminação: Tonio Finkam / Técnica: Maria Liechti / Produtor Executivo/Diretor de Palco: Michael Röhrenbach

Branco: o cheiro do lírio e do formol (Brasil)

CCSP – Sala Jardel Filho (o espetáculo reestreia para temporada no CCSP dia 4 de abril de 2017)

17/03, às 18h; 18/03, às 21h e 19/03, às 20h30

Duração: 100 min | Recomendação: 16 anos

Sinopse: Uma família de classe média, formada por um pai, um filho e uma tia, vive um cotidiano comum, até que alguns acontecimentos externos forçam essas pessoas a terem que lidar com o que existe do lado de fora da casa. A montagem, que estreia na MITsp 2017, procura jogar um olhar crítico do branco sobre si mesmo, descontruindo-se enquanto reprodutor do racismo naturalizado e estrutural. O espetáculo revela três camadas complementares: o depoimento de um narrador, que busca dar conta do próprio processo de criação da peça; uma situação de uma família em estado de suspensão; e ainda fragmentos de textos anteriores, escritos no mesmo processo, mas que por algum motivo não puderam vir à cena. O espaço cenográfico é formado por elementos pertencentes ao universo privado, mas sem uma unidade que gere a sensação de um lar.

Ficha técnica: Texto: Alexandre Dal Farra / Direção: Alexandre Dal Farra e Janaina Leite / Concepção Cênica, Cenário e Figurinos: Alexandre Dal Farra, André Capuano, Clayton Mariano e Janaina Leite / Atores: André Capuano, Clayton Mariano, Janaina Leite / Direção de Arte: Melina Schleder / Luz: Daniel Gonzáles / Sonorização: Miguel Caldas /Provocadores do processo: Eugênio Lima, José Fernando de Azevedo e Mawusi Tulani /Produção: Alexandre Dal Farra, Gabriela Elias e Janaina Leite

MOSTRA RABIH MROUÉ

Cavalgando Nuvens (Riding on a Cloud) (Líbano)

Sesc Vila Mariana | Dias 17 e 18/03, às 21h e 19/03, às 18h

Duração: 65 min | Recomendação: 14 anos

Sinopse: Quando as lembranças são como imagens fixas, que não trazem cenas do passado, como age a memória? Cavalgando Nuvens é uma fusão do pessoal e do político: Rabih Mroué convida o seu irmão Yasser para desempenhar o papel de um personagem que se parece com ele mesmo. Ferido na guerra civil libanesa, Yasser perdeu a capacidade de usar palavras e começou a gravar vídeos, mesclados no palco com o relato de suas memórias para formar uma imagem subjetiva dos acontecimentos políticos no Líbano. O espetáculo também descreve a frágil construção de uma biografia, que aflora entremeada pela realidade política, pelas memórias, pelos fatos e pela ficção. Para Mroué esse é sempre o ponto de partida para a autorreflexão artística, que ele transpõe para as suas criações.

Ficha técnica: Dramaturgia e Direção: Rabih Mroué / Performer: Yasser Mroué /Colaboração: Sarmad Lois /Assistente de Direção: Petra Serhal / Assistente: Janine Baroud /Tradução para o Inglês: Ziad Nawfal /Coprodução: Fonds Podiumkunsten, Prins Claus Fonds, Hivos & Stichting DOEN – (Países Baixos)

MOSTRA RABIH MROUÉ

Revolução em Pixels (The Pixelated Revolution) (Líbano)

Sesc Vila Mariana | Dias 15 e 16/03, às 21h

Duração: 60 min | Recomendação: 14 anos

Sinopse: “Os sírios estão filmando a própria morte”. É com essa sentença que começa Revolução em Pixels (2012), palestra-performance do artista Rabih Mroué, que investiga o ato de documentar, através dos telefones celulares, e compartilhar pelas redes sociais, os acontecimentos dos primeiros anos da revolução na Síria. Rabih Mroué aborda questões como a utilização de fotografias e vídeos para mobilizar e informar as pessoas durante a guerra e a capacidade de tornar viral esses registros. O artista libanês discute como os sírios captam essas imagens em tempo real, relacionando essa documentação com a questão da morte, além de pensar como assimilamos esses materiais.

Ficha técnica: Performer: Rabih Mroué / Tradução para o inglês: Ziad Nawfal /Coprodução: Berlin Documentary Forum – HKW, em Berlim, dOCUMENTA 13, em Kassel, The 2010 Spalding Gray Award (Performing Space 122, em Nova Iorque, The Andy Warhol Museum, em Pitisburgo, On the Boards, em Seattle, e The Walker Art Center, em Minneapolis).

MOSTRA RABIH MROUÉ

Tão Pouco Tempo (So Little Time) (Líbano)

Sesc Vila Mariana | Dias 14 e 15/03, às 19h

Duração: 60 min | Recomendação: 14 anos

Sinopse: Rabih Mroué explora mitos, autorretratos e imagens de mártires no espetáculo Tão Pouco Tempo (2016). O que acontece com uma pessoa que reencontra suas imagens na qualidade de um mito maior do que a própria vida? E o que permanece no momento em que suas histórias são substituídas pela propaganda política? No espetáculo, a atriz Lina Majdalanie, esposa de Rabih Mroué, está em um palco todo preto, quase vazio, não fosse a mesa com as caixas contendo fotografias de um mártir. A performer fala laconicamente sobre troca de prisioneiros, restos mortais de soldados e o cadáver de Deeb Al Asmar, um mártir islâmico ficcional, para o qual foram erguidos monumentos. Nas caixas, as fotos manuseadas por Lina vão perdendo a cor, mergulhadas em um líquido. Anos depois, o mártir volta à cidade e aparece a questão: estando vivo, ainda continua ele a ser um herói? É a partir dessa situação absurda que Mroué e Lina fazem um jogo inteligente, engraçado e irônico em um estúdio de fotografia. Ao fazer a desconstrução desse personagem morto, mas depois vivo, o diretor questiona a fascinação por imagens de líderes mortos, muitas vezes mais interessantes do que quando estão vivos. Desde suas primeiras peças, Rabih Mroué perscruta a história de seu país, o Líbano, explorando os pontos de junção e atrito entre a realidade e a ficção, a história real e seus mitos, o palco e suas ilusões. Essa performance é uma tentativa de investigar a relação entre a identidade pessoal e os memoriais públicos em tempos de guerra e pós-guerra. Na criação deTão Pouco Tempo, o artista libanês contou com a colaboração da sua parceira de longa data, a atriz, diretora e dramaturga libanesa Lina Majdalanie, com quem desenvolveu seus conceitos teatrais e trabalhou em vários projetos, como 33 RPM And A Few Seconds (2012), Photo-Romance (2009) e Biokhraphia (2002), entre outros.

Ficha técnica: Dramaturgia e direção: Rabih Mroué / Performer: Lina Majdalanie / Colaboração no Texto: Yousef Bazzi e Lina Majdalanie /Cenógrafo: Samar Maakaroun /Artes Gráficas e Assistente de Direção: Abraham Zeitoun / Assistente de Pesquisa: Andrea Geissler / Tradução/Inglês: Ziad Nawfal e Joumana Seikaly / Tradução/Alemão: Karen Witthuhn. Legendas: Yvonne Griesel / Tradução/Francês: Nada Ghosn / Música: Kari’atal-funjan – Abdel Halim Hafez (composta por Mouhamad Al Mouji, Letras de Nizar Qabbani) / Coprodução: Théâtre de la Bastille, Festival d’ Automne à Paris, Wiesbaden Biennale e HAU Hebbel Am Ufer

Mateluna (Chile)

Teatro João Caetano | Dias 18, 20 e 21/03, às 21h e 19/03, às 16h e 21h

Duração: 90 min | Recomendação: 12 anos

Sinopse: Em 2013, Jorge Mateluna colaborou com a criação de Escuela, espetáculo apresentado no ano seguinte na primeira edição da MITsp, sobre as escolas de guerrilha urbana da década de 1980. Mateluna, que ficou preso durante 12 anos, compartilhou com o grupo dirigido por Guillermo Calderón sua história como militante da Frente Patriótica Manuel Rodriguez. Enquanto a peça estava excursionando, ainda em 2013, a polícia prendeu Mateluna, sob a acusação de assalto a banco. As questões éticas e artísticas com as quais os grupos se deparou diante dessa prisão motivaram então a criação de um novo espetáculo, intitulado Mateluna, que funciona praticamente como uma continuação de Escuela. De cunho político, a montagem discute justiça, memória e reconhecimento àqueles que lutaram contra a ditadura. A obra estreou em outubro de 2016, em Berlim, no festival A Estética da Resistência – Peter Weiss 100, do Teatro Hau Hebbel Am Ufer.

Ficha técnica: Dramaturgia e Direção: Guillermo Calderón / Elenco: María Paz González, Camila González, Carlos Ugarte, Luis Cerda, Andrea Giadach, Francisca Lewin / Design: Loreto Martínez / Assistência de Direção e Produção: Ximena Sánchez / Produção: Ana Cosmelli / Assistência de Produção: Martina Valadares /Coprodução: Hau Hebbel Am Ufer, Berlim; Teatro Maria Matos, Lisboa; Fundación Teatro a Mil

Para que o Céu Não Caia (Brasil)

Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos | Dias 17 e 18/03, às 21h30 e 19/03, às 17h30

Duração: 80 min | Recomendação: 16 anos

Sinopse: O mito do fim do mundo, relatado pelo xamã yanomami Davi Kopenawa, diz que rompida a harmonia da vida no universo, o céu – no idioma yanomami entendido por “aquilo que está acima de nós” – desaba sobre todos os que estão abaixo e não apenas sobre os povos das florestas.  Diante de tantas catástrofes e barbáries que todos os dias nos assombram e emudecem, nesse contexto de drásticas mudanças climáticas escurecendo o futuro, o que nos resta a fazer? Como imaginar formas de continuar e agir?  O que cada um de nós pode fazer para, ao seu modo, segurar o céu? Os bailarinos da Lia Rodrigues Companhia de Danças dançam na Maré, no ritmo de máquinas e carros, helicópteros, sirenes, sob um calor escaldante, com chuva e tempestade, como uma oferenda e um tributo, para não desaparecer, para durar e para apodrecer, para mover o ar e para se expandir, para sonhar e para visitar lugares sombrios, para virar vagalume, para serem fracos e para resistir. Eles dançam para encontrar um jeito de sobreviver nesse mundo virado de cabeça para baixo. Dançar para segurar o céu. Para que o céu não caia…dançam.

Ficha técnica: Criação e Direção: Lia Rodrigues/Assistente da Direção e Criação: Amália Lima/ Dançado e Criado em Estreita Colaboração com: Leonardo Nunes, Gabriele Nascimento, Francisco Thiago Cavalcanti, Clara Castro, Clara Cavalcante, Dora Selva, Felipe Vian, Glaciel Farias, Luana Bezerra, Thiago de Souza com a participação de Francisca Pinto/ Dramaturgia: Silvia Soter / Colaboração Artística e Imagens: Sammi Landweer/ Criação de Luz: Nicolas Boudier
/ Produção/Consultoria de Projetos: Claudia Oliveira / Programação Visual: Monica Soffiati / Secretaria: Glória Laureano / Professores: Amalia Lima e Sylvia Alcantara / Estudantes/Estagiários: Juliana Gonçalves e João Rios / Produção-difusão internacional: Thérèse Barbanel / Les Artscéniques / Residência de criação: HELLERAU-European Center for the Arts Dresden/Germany /Coprodução: Festival d’Automne à Paris/France; Centquatre, Paris/France; HELLERAU-European Center for the Arts Dresden/Germany; Kampnagel / Hambourg/Germany; Hau/Berlin/German;Mousenturm/Frankfurt/Germany; Tanzhaus/Düsseldorf/Germany; Montpellier danse Festival/France, SESC –SP /Patrocínio: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro / Secretaria Municipal de Cultura e Globo (projeto ISS) Em parceria com o Centro de Artes da Maré e Redes da Maré  / Uma realização da Lia Rodrigues Companhia de Danças /Para que o Céu Não Caia foi concebido no Centro de Artes da Maré, Rio de Janeiro, Brasil, entre 2015 e 2016. Centro de Artes da Maré, um projeto da Lia Rodrigues Companhia de Danças e Redes da Maré / Agradecimentos a Layla Bucaretchi e ao Núcleo 2 de formação continuada da Escola Livre de Dança da Maré : Andrey da Silva Pereira, Daniele Pereira Rodrigues, Diego Farias Alvas da Cruz, Felipe da Costa Santos, Gustavo Glauber dos Santos Vieira, Ingrid de Castro Santos, Jeniffer Rodrigues da Silva, Juliana Gonçalves, Karolline da Silva Pinto, Luciana Barros Ferreira, Luyd de Souza Carvalho, Marllon Araujo, Raquel Alexandre David da Silva, Ricardo Xavier, Sidney Rafael Galdino dos Santos.

Por que o Sr. R. Enlouqueceu? (Warum läuft Herr R. Amok?) (Alemanha)

Sesc Pinheiros | Dias 15 a 17/03, às 21h

Duração: 130 min | Recomendação: 14 anos

Sinopse: A diretora Susanne Kennedy se apropria do filme homônimo de Rainer Werner Fassbinder, um diretor fascinado pelas patologias da vida cotidiana. O filme, produzido em colaboração com Michael Fengler em 1970, traz a história de um homem comum que faz exatamente o que se espera dele em todas as áreas da vida. Uma vaga e tácita agressividade cresce diante desse vazio, direcionada contra um mundo determinado pelo preconceito, pela frustração e pela fofoca. Na versão para o teatro assinada por Susanne Kennedy, os atores utilizam máscaras de silicone e se movem em sincronia com vozes pré-gravadas.

Ficha técnica: Direção: Susanne Kennedy / Autor: Rainer Werner Fassbinder, Michael Fengler / Atores: Cigdem Teke, Katja Bürkle, Walter Hess, Christian Löber, Edmund Telgenkämper / Figurantes: Kristin Elsen, Renate Lewin, Sybille Sailer, Manuela Clarin, Ingmar Thilo, Herbert Volz / Cenografia: Lena Newton / Figurinos: Lotte Goos / Vídeo: Lena Newton, Ikenna David Okegwo /Design de Som: Richard Janssen /Design de Luz: Jürgen Kolb /Dramaturgia: Koen Tachelet

Endereços

Theatro Municipal

Pça Ramos de Azevedo, s/nº – República – Tel.: 3053-2100 – Capacidade: 876 lugares

Sesc Vila Mariana

R. Pelotas, 141 – Vila Mariana – Tel.: 5080-3000 – Capacidade: 400 lugares

Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran

R. Paes Leme, 195 – Pinheiros – Tel.: 3095-9400 – Capacidade: 492 lugares

Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos

R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho – Tel.: 2076-9700 – Capacidade: 100 lugares

CCSP – Sala Jardel Filho

R. Vergueiro, 1000 – Paraíso – Tel.: 3397-4002 – Capacidade: 321 lugares

Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer

Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Pq Ibirapuera – Tel.: 3629-1075 – Capacidade: 700/ 800 ?)

Itaú Cultural

Av. Paulista, 149 – Bela Vista – Tel.: 2168-1777 – Capacidade: 254 lugares

Teatro João Caetano

R. Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino – Tel.: 5573-3774 – Capacidade: 438 lugares

Ficha Técnica MITsp 2017

Idealização e Direção Artística: ANTÔNIO ARAÚJO

Idealização e Direção Geral de Produção: GUILHERME MARQUES

Diretor Relações Institucionais: RAFAEL STEINHAUSER

Relações Internacionais: JENIA KOLESNIKOVA E NATÁLIA MACHIAVELI

Curadoria dos Olhares Críticos: KIL ABREU E LUCIANA ROMAGNOLLI

Curadoria de Ações Pedagógicas: MARIA FERNANDA VOMERO

Curadoria do Seminário Discursos sobre o Não Dito: EUGENIO LIMA E MAJOI GÓNGORA

Coordenação Executiva de Produção: RACHEL BRUMANA

Coordenação da Assessoria de Comunicação: MARCIA MARQUES / CANAL ABERTO

Coordenação de Relações Públicas: CARMINHA GONGORA E HENRIQUE CARSALADE

Pré-produção: CARMINHA GONGORA E CÁSSIA ANDRADE

Coordenação Técnica: ANA IRIAS

Coordenação de Logística: MARISA RICITELLI

Coordenação dos Eixos Reflexivo e Pedagógico: ANDREIA DUARTE

Coordenação da Performance Pública e das Relações com as Escolas de Artes Cênicas: CÁSSIA ANDRADE

Coordenação do Coletivo de Críticos: SORAYA BELUSI

Coordenação Financeira: PATRICIA PEREZ

Assessoria Jurídica: JOSÉ AUGUSTO VIEIRA DE AQUINO

Auditoria Externa e Consultoria de Projetos: CARVALHO RAMOS

Assistente de Relações Internacionais: FERNANDO RUIZ BRAUL

Assistente de Assessoria de Comunicação: DANIELE VALÉRIO / KELLY SANTOS/ CANAL ABERTO

Assistente de Coordenação Técnica: FERNANDA GUEDELLA

Assistente de Coordenação de Logística: ELOÍSA SUÑÉ LEITE

Assistente Logística|Receptivo: LENITA PONCE, LUIZA ALVES E LUIZA MEIRA

Assistente de Coordenação dos Eixos Reflexivo e Pedagógico: JOÃO MOREIRA

Assistente de Coordenação Financeira: HIAGO MARQUES

Redação, Edição e Supervisão de Conteúdo Editorial: POLLYANNA DINIZ

Tradução de conteúdo técnico e editorial: PATRÍCIA LOPES

Revisão: LUCÉLIA MACHIAVELI E MARLY GUERSONI

Projeto Gráfico e Direção de Arte: PATRÍCIA CIVIDANES

Autores do logotipo original da MITsp (2014): ANDRÉ CORTEZ E REGINA CASSIMIRO

Autora do logotipo MITsp versão 2017: PATRÍCIA CIVIDANES

Designer do book de captação: OSVALDO PIVA

Assistente de Arte: JANAINA PINHO

Site: MARINA DUCA

Redes Sociais: ANA BEATRIZ RESENDE E EVERTON FELISBERTO / MENU DA MÚSICA

Vídeos: NATÁLIA MACHIAVELI E BRUNO CARNEIRO

Registro Fotográfico: GUTO MUNIZ E NEREU JR.

Registro Videográfico: THIAGO SABINO

Secretaria MITsp: DANIELLA DANTAS

Produtores Locais de Montagens: ANDRÉ LUCENA, DORA LEÃO, JULIO CESARINI, PAULO GIRCYS, RICARDO FRAYHA

Coordenadores Técnicos de Montagens: ANDRÉ BOLL, ANDRÉ LUCENA, CAUÊ GOUVEIA, JULIO CESARINI

Assistente de produção: RODRIGO FISCHER

Legendagem: CELIO FARIA JUNIOR E HUGO CASARINI

Catering: CLÉRIA OLIVEIRA MOURA

Produção: NÉLIO TEODORO

Assistente de Produção: JAIR NASCIMENTO

Serviços Gerais: CÁSSIA NUNES

Texto da Cerimônia de Abertura: GRACE PASSÔ

Mestre de Cerimônias: GEORGETTE FADEL

Empresas e Instituições Parceiras:

Apresentação: Ministério da Cultura, Banco Itaú, Sesc SP

Patrocínio: Banco Itaú, Asus

Copatrocínio: Sabesp, Smart, Goethe-Institut, Federal Foreign Office

Realização: Ecum Central de Produção, Olhares Instituto Cultural, Itaú Cultural, Sesc SP, Ministério da Cultura – Governo Federal

Correalizadores: Secretaria Estadual de Cultura – Governo do Estado de São Paulo, Centro Internacional de Teatro Ecum – CIT Ecum

Apoio cultural: Secretaria Municipal de Cultura – Prefeitura do Município de São Paulo, TUSP, Folha de S.Paulo, TV Cultura

Parcerias: Waiver, Prohelvetia, Consulado Geral da Bélgica em São Paulo, Consulado Geral da França em São Paulo, Institut Français Brasil, Comfort Hotel, Cia Umbabarauma, Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, Prefeitura Municipal de São Paulo, Departamento de Expansão Cultural, Centro Cultural São Paulo, Theatro Municipal de São Paulo, Poiesis Organização Social, Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, Armazém da Luz,  Revista Antro Positivo, Followup Produções Culturais, Ataves.TV Produtora, Apfel Restaurante Vegetariano, Paribar, Cantina e Pizzaria Piolin, Cantina Luna Di Capri, Planetas Restaurante, Alberta#3 Restaurante, Ramona Restaurante,  Exquisito! Restaurante, Santa Mônica, On Off Aluguel de vans, Cooperativa Paulista de Teatro, MCosta Serviços Contábeis, Affinity Consultoria Contábil, Vieira de Aquino e Degani Sociedade de Advogados e Carvalho Ramos Assessoria Contábil.

Leis de Incentivo à Cultura

Lei Federal de Incentivo à Cultura

Canais de venda de ingressos

Venda antecipada de ingressos:

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