ONU ajuda 16 mil pequenos produtores na África a fornecer alimentos para escolas

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Crianças em escola no Senegal. Foto: FAO/Israel Klug

Fruto de uma parceria entre Brasil, Reino Unido e agências da ONU, o Programa de Aquisição de Alimentos para a África — PAA África — já beneficiou cerca de 16 mil pequenos agricultores e mais de 37,1 mil alunos na Etiópia, Malauí, Moçambique, Níger e Senegal, desde a sua criação, em 2012.

Iniciativa conecta as demandas de iniciativas de alimentação escolar à oferta da agricultura familiar. De 2014 a 2016, foram quase 2,7 mil toneladas de alimentos comprados.

O Programa de Aquisição de Alimentos para a África — PAA África — já beneficiou cerca de 16 mil pequenos agricultores e mais de 37,1 mil alunos na Etiópia, Malauí, Moçambique, Níger e Senegal, desde a sua criação, em 2012. A iniciativa, que combina as demandas de iniciativas de alimentação escolar à oferta da agricultura familiar, é tema de um novo estudo do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG).

Publicada em fevereiro, a análise aborda os avanços da segunda fase do programa — de 2014 a 2016. Até 2019, o projeto dará início a sua terceira etapa e deverá ser implementado em dois novos países — Quênia e Gâmbia.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre os governos do Brasil e Reino Unido com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O estudo dp IPC-IG aponta que, durante a segunda fase do PAA, compras institucionais de alimentos chegaram a quase 2,7 mil toneladas. O país com o maior número de agricultores participantes é o Níger — são 7.738 pequenos produtores filiados ao programa, que formaliza a compra de milho e feijão frade da agricultura local.

A nação também lidera o ranking de vendas ao PAA. Quase 1,8 mil toneladas de comida foram adquiridas por escolas no âmbito da iniciativa da ONU e países parceiros.

Quando o quesito é participação feminina na produção agrícola, é o Malauí que toma a dianteira na avaliação. Dos agricultores que integram o programa, 57,9% são mulheres. O país é seguido pelo Senegal, como uma taxa de participação das mulheres estimada em quase 48%. A inclusão de uma perspectiva de gênero no PAA foi uma recomendação da primeira fase da iniciativa.

O IPC-IG afirma que o programa tem contribuído para a diversificação alimentar dos alunos, o que é crucial para promover o acesso a quantidades adequadas de nutrientes.

A maioria dos países participantes introduziu alimentos ricos em proteínas nos cardápios escolares, como legumes, frutas e verduras frescas, embora alguns tenham as compras institucionais restritas a algumas commodities, como o Senegal, onde o PAA adquire apenas arroz da agricultura local.

O centro de pesquisa elogiou os resultados positivos com o apoio dado a pequenos agricultores que, além de terem seus produtos comprados por centros de ensino associados ao PAA, também recebem capacitação e equipamentos. Contudo, o IPC-IG faz um alerta: é necessário garantir que os beneficiários tenham acesso a outros mercados institucionais.

O estudo aponta que atrasos nos pagamentos dos agricultores e na transferência de recursos para a alimentação escolar são obstáculos que precisam ser superados no futuro, sobretudo para proteger populações mais vulneráveis.