No 8 de março, uma homenagem às mulheres negras que fizeram história no Brasil

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8 de março de 1857. Nova York. Operárias entram em greve numa fábrica de tecidos. “Nós, mulheres unidas, exigimos: redução imediata de 16 horas para 10 horas de trabalho por dia.”
O governo chega. A polícia tranca a fábrica. Tasca fogo. E queima, vivas, 129 mulheres resistentes. Cento e dezoito anos depois da greve, a ONU decreta: Dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher.

E aqui, no nosso Brasil? 1932. A mulher brasileira, finalmente, consegue votar. Um ano depois, na Assembleia Nacional Constituinte, o povo elege 213 deputados … e apenas uma mulher. Então, um viva para a paulista Carlota de Queiroz.

1822. A regente interina, Maria Leopoldina, escreve ao imperador e exige: “Amado esposo, Pedro I. Sejas homem: Independência ou Morte!” Independência ainda distante de milhares de mulheres, principalmente a homenageada especial de hoje (8), aqui no Trocando em Miúdo. A mulher negra. A Organização Internacional do Trabalho informa: A mulher negra recebe 25% menos do que a mulher branca, no mesmo tipo de trabalho. E 61% a menos do que o homem branco.

Então, neste Dia Internacional da Mulher, um viva para Anastácia, princesa africana, nascida num navio negreiro e futura escrava no Brasil.
Um viva para Aqualtune, filha do rei do Congo, avó de Zumbi dos Palmares, a comandante de 10 mil guerreiros. Derrotada na batalha tribal africana, ela é colocada num navio na África e vendida no porto de Recife. Grávida, foge e organiza a luta no Quilombo de Palmares, ao lado de Gangazumba. Da filha, nasce Zumbi.

Teresa, rainha do Quilombo de Quariterê, escrava de Angola, chefia a resistência armada de negros e índios. Isso em 1770, em Mato Grosso. Organiza um parlamento, desenvolve plantio de algodão, transformado em roupas nos teares coletivos, construídos a partir dos ferros usados nas pessoas negras.

Um viva para Francisca, minha rainha, líder da revolta armada dos 500 negros muçulmanos, os malês, todos alfabetizados, em Salvador da Bahia, no ano de 1835.

Um viva para você, mulher negra que ainda rala, neste Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Um viva ao som de Chiquinha Gonzaga, primeira regente de orquestra sinfônica no Brasil, numa época em que o voto feminino nem existia. É dela esta marchinha de carnaval de 1899, Ô Abre Alas.

Então, um beijo em você, neste dia, mulher negra, rainha, princesa.

Ouça: