Você já ouviu falar sobre a geração tombamento?

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“Tombamento” foi o nome associado a um movimento estético como resistência negra no ambiente urbano. Chamado também de “afrontamento” (remetendo ao sufixo “afro”), o estilo de se vestir – que já é um estilo de vida – surgiu do forte momento de debate em torno da identidade da população de maior parcela brasileira: o negro. A repercussão desta nova forma de vivenciar o espaço urbano, principalmente do jovem é, agora, uma ferramenta política de valorização das raízes, que resulta num impacto social sobre a importância da pessoa negra.

Os cabelos crespos e cacheados assumidos, ambientes de convivência pensados para este grupo como festas e shows são as motivações para quem aderiu ao movimento. A pessoa negra, que costuma ser o morador das periferias das grandes cidades, passa a ser incluso no meio social, e mesmo, no universo virtual. Esta forma de expressão colorida nos cabelos, tranças e nas roupas (muitas vezes customizadas de peças mais baratas e de brechó) libertou os grupos LGBT+ das regiões das comunidades, que possuem espaços em que podem se reconhecer e conhecer outros integrantes do movimento. Festas como “Afrobapho” e “Tombo”, homônimo do movimento, revelam a resistência desta população.

A música é muito influente para a geração de jovens que sentem a força que ganharam com a frase “já que é pra tombar, tombei” de uma música da cantora Karol Conka, que ganhou espaço na mídia pelos temas de empoderamento afroétnico e feminino, que permeiam o principal valor de criação de música da artista, o tombamento. Mas se engana quem pensa que são poucos os que têm espaço para fazer parte do “lacre” (palavra que carrega o mesmo valor do “tombamento”). Magá Moura, formada em Relações Públicas começou ainda na faculdade a disseminar a força do movimento jovem em suas redes sociais. Engajada no universo da moda, Magá chamava atenção em fotos e vídeos que valorizava seus cabelos com tons fortes e coloridos (de rosa ao branco) que a fez ganhar visibilidade como blogueira ícone do tombamento.

Mas o que parecia uma moda entre o público do adolescente e jovem heavy user (usuários frequentes das redes sociais) ganhou uma proporção ainda maior, que remonta os modos de ações afirmativas para vencer um histórico de opressão da população negra. A autoestima é um grande fator para mudar a estrutura de supremacia eurocêntrica com que a sociedade pauta o modo de se vestir, ouvir e mesmo de ver a si mesmo, no Brasil. O tombamento reafirma que o jovem negro faz do pouco – dinheiro e visibilidade – muito; através da personalidade e posicionamento social e político.