Mulher sim, negra também!

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O feminismo negro surge como uma vertente mais específica do movimento feminista, que se funda nos valores de igualdade de gênero. Ou seja, o feminismo negro surge como uma minoria dentro da minoria, as mulheres. E com minoria, pressupõe-se um grupo que ainda é oprimido por outro, que justifica esta sobreposição de valores por vias discriminatórias, no caso, a misoginia.

A linha de pensamento traçada pelo feminismo negro surgiu da teoria de interseccionalidade, que defende a relação direta entre sexismo, racismo, classismo e identidade de gênero, fundamento este, estruturado por KimberleCrenshaw no fim dos anos 1980. A urgência de estabelecer esse recorte no movimento se deu dentro de uma rachadura do próprio feminismo, que nos anos 1960 (período de grandes ondas dessa manifestação), quando as mulheres negras sofriam com os embates do racismo no movimento e assim, perdiam força para lutar contra o sexismo do Movimento dos Direitos Civis.

Apesar de alguns criticarem esta divisão, as feministas negras afirmam que englobar todas num mesmo grupo prevê que a luta de todas está fundada unicamente pelo gênero, o que exclui as necessidades mais específicas da mulher negra. Hoje, o movimento feminista como um todo entende as razões para a abertura desta vertente em cima de dados que revelam a discrepância entre as condições de vida dos dois grupos: para o feminismo negro existe grande necessidade de recuperar a autoestima dessas mulheres que sofrem com os padrões eurocêntricos de beleza, tal como o feminicídio e a dificuldade ainda maior de ingressar no mercado de trabalho, em que mantém uma posição inferior se comparada à do branco.

O feminismo negro ensinou a importância de dar “nome aos bois”, isto é, utilizar da linguagem como ferramenta de luta e dar visibilidade às peculiaridades que acabam sendo esquecidas quando o feminismo lança palavras de ordem dizendo “todas nós”. Mas quem são “nós”?