Negras e acadêmicas

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Os jovens negros ainda são minoria no ensino superior, representando uma exceção de 12,8% dentro do grupo de 54% de brasileiros autodeclarado negros ou pardos. Por conta da construção histórica, para as mulheres este número cai e para as mulheres negras, ainda mais. Entretanto, esta pequena parcela contribui para uma ascensão coletiva da população preta. A questão da universidadecomo um espaço de exclusão, homogeneizados pela população não negra é uma pauta que se fortaleceu e tenta ser revertida na a Década Internacional de Afrodescendentes decretada pela Organização das Nações Unidas (ONU), políticas afirmativas como as cotas raciais e o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana instituída por lei.

Dentre os destaques no universo acadêmico, no sentido de quebra de estereótipos está Enedina Alves. Formada aos 30 anos pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), foi a primeira mulher negra a integrar a sala de graduação de um cursofrequentemente tipificado pela presença masculina. Como exemplos contemporâneos Anita Canavarro fundou o grupo de Estudos sobre a Descolonização do Currículo de Ciências (CIATA) em Goiás, onde a doutora em Ciências pela Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) leciona.

As palavras de ordem “uma sobe e puxa a outra” têm dialogado com a questão de crescimento dentro do movimento negro, que desmistifica a diferenciação de capacidades entre mulheres brancas e negras. A população feminina preta está em processo de aderir ao movimento do feminismo negro, alinhado a suas peculiaridades para ocuparem os mesmos espaços que o grupo de não negras. O protagonismo já aparece no cimema, por exemplo, com dois grandes exemplos: “Cara gente branca” a série veiculada em formato streaming, que conta as dificuldades da pessoa negra no ensino superior e “Estrelas além do tempo”, filme sobre mulheres negras e cientistas, que ganharam um vídeo especial pelo veículo Brasil de Fato durante a pré-estreia, confira: https://www.facebook.com/brasildefato/videos/1323146117733349/

Por Quezia Isaías