Lívia – as escolhas e onde desembocaram

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Lívia estreou No Rio de Janeiro no Teatro Eva Herz em 10 de Maio. Em São Paulo, estreou no último fim de semana de Junho, dia 24. A temporada se estendeu na capital paulista até o dia 30 de Julho com a organização do “Coletivo Preto” e “Príncipes Negros”. A peça com o protagonismo de Sol Menezzes, irmã mais nova de Sheron Menezzes, compõe o circuito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que media países de mesma língua, como Angola e Brasil.

Lívia é uma jovem determinada em viver uma carreira de sucesso. Lívia é uma jovem negra. O fator da etnia de Lívia e de Felipe, par que conhece em uma de suas “andaças”, determina a trajetória dos dois e é esse o ritmo da peça. Ritmo, porque a peça é uma dança bem ensaiada, são apenas dois atores para segurar muito conteúdo, sem deixar de encantar a todos que assistem. Existe toda uma leveza no tratar do tema de um relacionamento afrocentrado, mas sem perder a veracidade do que ainda é uma realidade social brasileira, “Lívia”, nome homônimo à personagem principal vestido (e ajustado na medida) por Sol Menezzesé, portanto, permeada de questões sociais.

A peça é contada em flashback, o casal na sua velhice relembra a trajetória de como se conheceram e como desviaram dos planos iniciais de suas vidas. Parecemos entrar na cabeça de Felipe, desde o dia em que se conheceram numa exposição de arte, em que Lívia, arredia e resistente aceitou sair com o futuro parceiro, que parecia nada entender do universo acadêmico da mulher. Entre tapas e beijos, fazem planos, namoram e engravidam; o que para Lívia é um interromper de sonhos e para Felipe, sinal de mais trabalho.

Movimentos corporais, quase dançados, marcam a passagem de tempo ou os acontecimentos da vida do casal, que com poucas peças de roupas conseguem transformar o figurino ao longo de toda a peça. Lívia e Felipe conversam, na verdade, gritam muito, pelo desespero do esmaecimento do bom convívio; depois, por culpa do alcoolismo do homem; pela dificuldade de criar os filhos. Em suma, pela frustração dos sonhos inacabados.

Independente de todo percurso, o fim não é o separação dos dois. Felipe conta à sua parceira, já na velhice, a história de suas vidas, não a que tiveram, mas a que sonharam juntos. Neste tempo, o personagem muito bem interpretado por Licínio Januário fica responsável pelo que antes Lívia suportava…os filhos. Pouco tempo depois, o casal se despede com o falecimento da mulher e Felipe, se vendo abandonado, passa a história, a história real dos dois, para frente, em páginas de um livro. Basicamente, a sucessão de escolhas, desde o primeiro cinema juntos, determinou o fim de suas vidas.

Por Quezia Isaias