A tecnologia já está dando o tom na vida de jovens negrxs

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Quem faz uma leitura mais atenta dos jornais ou “fuça” publicações mais alternativas na internet deve estar assustado com a quantidade de notícias bacanas que pululam aqui e ali. Isso em pleno turbilhão político e econômico que se arrasta desde 2014. Muitas dessas boas novidades têm como protagonistas jovens empreendedores afro-brasileirxs. Em boa medida, esse fenômeno se deve ao maior acesso deste contingente às universidades, notadamente nos últimos 20 anos, além da popularização das chamadas ferramentas da Tecnologia da Informação e da Comunicação (TICs).

Pode parecer entranho, mas o smartphone que está nas mãos de inúmeros jovens possui capacidade de processamento idêntica ao dos supercomputadores da década de 1950! O domínio da robótica deixou de ser um sonho distante. Hoje, nas mostras de ciências, a eletrônica dá o tom. Tanto que os chamados hackathons (as maratonas de programação) pipocam em escolas públicas de diversos pontos do país. Inclusive nas cidades de porte médio.

É neste cenário que as mulheres estão surfando. Não apenas àquelas oriundas das classes média e alta, mas também das periferias. São elas que dominam alguns dos mais vibrantes empreendimentos do setor de tecnologia. Uma delas é a fluminense Ana Carolina da Hora. Nascida e criada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ela integra o coletivo de makers Olabi. Também está envolvida no projeto Flux, um sinalizador wearable destinado a ajudar na segurança dos ciclistas.

Em São Paulo, um caso emblemático é a empresa social InfoPreta, que presta assistência técnica em informática exclusivamente para mulheres. O negócio é liderado pela jovem Buh Angelo e surgiu como forma de empoderar as “minas” na tecnologia. Para isso, são realizados cursos, palestras e workshops. Salvador também tem mostrado um protagonismo importante quando se fala em tecnologia e empreendedorismo jovem e, especialmente, feminino.

Ao longo da Ocupação Afro Futurista, ocorrida entre os dias 8 e 11 de agosto, na Estação da Lapa, inúmeros coletivos e empresas sociais comandados por mulheres, divulgaram seu trabalho. Duas delas, Larissa Fulana de Tal e Ervelane Moraes, do coletivo Tela Preta, mostraram que os dispositivos móveis (smartphone, iPad, entre outros) podem funcionar como a porta de entrada para quem deseja apostar no segmento áudio visual.

No evento, promovido pela Aceleradora Vale do Dendê e o Instituto Mídia Étnica, com patrocínio exclusivo da iniciativa Seja Digital, quem também deu seu recado foi Nayamare Azevedo, do projeto Afrotonizar, que estimula e desenvolve a cultura empreendedora nas periferias da capital da Bahia. O foco são os jovens negrxs.

Pois é, tem muitas mais coisas bacanas rolando no âmbito dessa tal de cultura maker. Basta procurar.

Por Rosenildo!