Em áudio, mulher exprime racismo contra professoras negras

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Crime pode ser enquadrado como racismo e injúria racial.

Indignação. Este é o sentimento vivenciado pela professora Roberta Renout, uma das ofendidas em um áudio publicado em redes sociais, no qual a mãe de uma aluna faz insultos raciais as docentes.

Luciana Faria Diniz, a mãe de uma discente, da cidade de Araporã, localizada a 125 km de Uberlândia, enviou para uma terceira professora áudios através do WhatsApp, no qual falava abertamente sobre o descontentamento pelo fato da filha vir a ter duas professoras negras, no segundo semestre letivo.

“Tá desgraçado… porque preto de lá e preto de cá […] que diacho de tanto preto”, disse Luciana na mensagem de voz. E ela continuou: “Eu não dou certo com preto. […] De preto, eu só gosto de Coca Zero porque tenho diabetes. Eu não ‘tô’ agradando disso não [sic]. Não gosto de preto mesmo. Todos [em] que chego perto é ‘subaquento’”.

Roberta registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar (PM), mas o caso foi repassado à Polícia Civil para instauração do inquérito. Aacusada poderá responder pelos crimes de injúria racial e racismo.

“Estamos aguardando a análise dos áudios pela perícia e precisamos ouvi-la, para depois evidenciar o dolo praticado. Mas a gente visualiza que ela tem a possibilidade de responder pelas duas vertentes porque, além das ofensas às professoras, ela também se dirige a um grupo de pessoas”, disse o delegado. Armando Papacídero, que conduz as investigações, em entrevista a afiliada da Rede Globo de Televisão, a MGTV.

De acordo com a lei, apenas o crime de racismo, previsto no artigo 20, Lei n. 7.716/1989, popularmente conhecida como Lei Caó,é inafiançável, com pena de reclusão, pelo período de um a três anos e multa.

A prefeita da cidade Renata Borges se manifestou em solidariedade às vitimas através de postagem em redes sociais e a prefeitura Municipal de Araporã emitiu uma nota de repúdio ao fato. As professoras também têm recebido apoio por meio das mídias sociais.

Assista ao vídeo, publicado no Youtube,que relata os fatos, aqui