Monalysa Alcântara: passando por cima do racismo

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Miss Brasil 2017 explica como aprendeu a superar o preconceito

Desde o dia 19 de agosto muitas coisas mudaram na vida de Monalysa Alcântara, eleita Miss Brasil 2017. Reconhecida como a mulher mais bonita do Brasil a piauiense de apenas 18 anos passa a ter a responsabilidade de lidar com questões como: imprensa, fãs, agenda e o racismo…

Este inclusive foi um dos primeiros “compromissos” da Miss, lidar com os racistas de plantão que mais uma vez usaram as redes sociais para despejar o ódio e a indignação por ver a beleza negra ser reconhecida. Um reconhecimento que só acontece pela terceira vez na história do concurso e pela segunda vez consecutivamente, pois a primeira Miss Brasil negra, Deise Nunes, havia conquista a premiação em 1986.

Tamanha é a façanha de Monalysa que ela mesma não se considerava bonita durante grande parte de sua vida, mas agora com certeza contribui para que meninas negras espalhadas em todo país sintam-se confiantes de sua identidade e da beleza da ancestralidade que carregam.

Nesta entrevista ao Afrobrasileiros a miss explica com propriedade como tem superado o racismo.

Afrobrasileiros: Você sempre lidou bem com a sua negritude e a sua herança ancestral?

Monalysa: Nem sempre, eu tinha sérios problemas com a minha cor, com os meus cabelos e com os meus traços por conta do preconceito e por não ter tido mesmo uma instrução, minha família não passou esse ensinamento para mim. Por sentir que ser negra no Brasil não era tão bom, eu também tinha esse receio de me assumir negra. Eu mesma me rotulava como morena, parda, mas nunca como uma mulher negra. Mas eu fui evoluindo, aprendendo, fui me empoderando, tomando conta de mim e fui descobrindo que eu sou uma mulher negra.

Afrobrasileiros: Seu cabelo sempre foi crespo ou assumir os cachos tem a ver com a aceitação de sua identidade?

Monalysa: Meu cabelo sempre foi crespo, porém tentei de todas as formas esconde-los (alisando ou prendendo). Para mim, assumir os cachos foi fundamental para assumir minha identidade como mulher negra.

Afrobrasileiros: Sua beleza sempre foi reconhecida ou já se sentiu preterida por ser negra?

Monalysa: Nem sempre minha beleza foi reconhecida, nem eu mesma me achava bonita. E as pessoas também não gostavam da minha beleza por conta do estereótipo europeu que é imposto na sociedade brasileira. Por muitas vezes eu nem acreditava que poderia estar no mundo da moda por conta disso, porque sempre via mais mulheres brancas que negras, eu acreditava que a gente não conseguiria alcançar esse espaço. Mas, com o tempo, isso foi mudando. Aliás, ainda estamos na árdua batalha para mudar isso.

Afrobrasileiros: O que passou pela sua cabeça quando ouviu seu nome ser anunciado como vencedora?

Monalysa: Bem, quando eu ouvi meu nome ser anunciado como a vencedora do Miss Brasil BE Emotion 2017 eu fiquei meio assustada, mas também muito feliz ao mesmo tempo. Eu não esperava realmente ser a escolhida, foi tudo muito rápido, foi um susto. Mas fiquei muito feliz e consciente de que eu estava orgulhando o meu Piauí e minha família.

Afrobrasileiros: É apenas a terceira negra a ganhar o concurso, o que tem a dizer para as meninas que assim como você sonham com esta conquista?

Monalysa: Que elas jamais desistam, que elas sonhem bem alto e que corram atrás dos seus sonhos. E, sempre que alguém tentar desanimá-las ou diminuí-las, que elas entendam que precisam usar isso como um empurrão. Que lutem pelos seus direitos e passem por cima do preconceito e do machismo.