Afrobrasileiros realiza série de matérias sobre o “Racismo na Rede”

Casos de racismo com pessoas famosas

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Parte I – Ataques racistas às redes sociais de personalidades negras foram recorrentes

“A internet é terra de ninguém”, por mais incrível que pareça ainda há quem pense que sob um perfil falso esta protegido de qualquer punição e desta forma pode dar vazão a perversidade que tem guardada em si.

No entanto, os crimes virtuais já estão previstos em lei e não só podem, como devem levar quem comete este tipo de delito a pagar pela má conduta. Mas a qual tipo de crime especificamente estamos nos referindo? O racismo. As ofensas baseadas na cor da pele que incomoda quem tem no preconceito a justificativa para destilar ódio.

A fim de compartilhar informação sobre os crimes cometidos e as atitudes a serem adotadas para não ser mais uma vítima impune, o Afrobrasileiros inicia agora uma série de matérias sobre o “Racismo na Rede”.

Nesta primeira parte você vai relembrar o racismo vivenciado por negras famosas nos anos de 2015 e 2016.

2015: Maju, Taís, Cris e Sheron.

Em julho de 2015 a jornalista Maria Júlia Coutinho foi alvo de comentários racistas em redes sociais. O caso teve grande repercussão e gerou manifestações de apoio e através da hashtag “Somos todos Maju” artistas e fãs prestaram homenagens.

No final do mês de outubro do mesmo ano, uma foto publicada pela atriz Taís Araújo em seu próprio perfil também foi objeto de ofensas racistas. Em desabafo publicou a atriz disse: “Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça.”, afirmando que levaria o caso à polícia.

Na sequência e ainda no mesmo ano, no mês de novembro, foi a atriz Cris Vianna quem sofreu com as agressões. Novamente através das redes sociais foram publicados comentários racistas no perfil da atriz. No mês seguinte o mesmo aconteceu com a também atriz Sheron Menezzes. Ambas utilizaram as redes sociais para comentar os casos e para comunicar que levariam as ocorrências às autoridades.

As investigações sobre os casos prosseguiram após as denúncias e já no início do ano de 2016 onze mandados foram expedidos e cinco pessoas foram detidas quando ficou comprovado envolvimento das mesmas nos ataques sofridos pela jornalista Maju Coutinho e pelas atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes.

Segundo o delegado que cuidou do caso Alessandro Thiers, outros famosos também seriam alvos do grupos. Para o delegado: “Eles planejavam atacar outras pessoas públicas, mas como o caso se tornou público isso inibiu a atuação deles. São centenas de grupos que envolvem milhares de pessoas. Os presos eram mentores intelectuais do grupo, os que incitavam mais. Eram todos homens. Um em Navegantes; um em Brumado, na Bahia; um em São José dos Pinhais, no Paraná; um em Sertãozinho, em São Paulo; e um em flagrante em Porto Alegre no Rio Grande do Sul”.

2016: Ex BBB Adélia, Ludmilla, Preta Gil, Juliana Alves e Mc Carol

Apesar do desfecho dos crimes do ano anterior, os ataques aos perfis de mulheres negras famosas não teve trégua e durante o ano de 2016 foram relatados vários casos.

Em abril a ex-BBB Adélia relatou que tomaria providências contra os agressores que em seu perfil desferiram comentários preconceituosos. “Não tomei providência antes porque minha vida estava muito corrida, mas estou juntando provas e vou entrar na Justiça. Eu sou advogada e isso é mais um motivo para eu não deixar em branco. Estou indignada. Sou vítima igual a Maju, a Taís Araújo e a Cris Viana, e tantos outros”, disse.

No mês seguinte, no dia 22, foi a cantora Ludmilla quem foi atacada. Ela registrou o caso na Delegacia de Repressão a Crimes de Internet (DRCI) e as investigações chegaram ao agressor Hélder Santos de 31 anos, morador da Barra da Tijuca. Ele vai responder ao processo por injúria racial em liberdade, mas o delegado afirma que isso pode mudar a qualquer momento e explica: “A polícia não viu necessidade de prisão porque não houve violência física. Mas, se a polícia achar que existe a necessidade, ele é chamado novamente. É importante pensar antes de postar qualquer coisa na internet e saber que comentários com intolerância religiosa, homofobia, racismo e outras coisas podem trazer consequências”.

Em depoimento Hélder, que responde por uma tentativa de homicídio em 2009, afirmou “estar arrependido e não ser racista”, argumentando ter avô negro. Além disso, afirmou não saber o porquê de ter feito aquele comentário, pois se declara fã da cantora e que ouve as músicas de Ludimilla para malhar.

Julho foi vez da cantora Preta Gil, que respondeu com um desabafo e pedido de justiça e caracterizou as ações como uma “doença social”. Em agosto, a atriz Juliana Alves e a cantora Mc Carol foram também alvos. Segundo a delegada Daniela Terra, as ofensas sofridas por elas e por outras partem de grupos de “hammers”, que são comunidades de pessoas, em sua maioria adolescentes, que se reúnem com a finalidade de ofender figuras públicas.

No final do ano, em novembro, a vítima foi a cantora Gaby Amarantos. Ela relatou que deu prosseguimento às denúncias, teve apoio de amigos e pessoas próximas e que fez isso também por aqueles que não têm voz. “Sofro preconceito há muitos anos, me tornei até casca grossa para lidar com isso. Várias outras vezes já foram até o meu perfil no Instagram e fizeram um ataque racista. Agora, quando eu vi que isso começou a tomar uma proporção maior, com meus fãs tomando as dores e me defendendo, resolvi fazer algo. Sou artista, tenho toda a estrutura para ter advogados, tudo a meu favor, então me sinto na obrigação de denunciar. Fiz isso pelas pessoas que não têm voz e também sofrem”.

2017: Monalysa Alcântara

O ano ainda nem terminou, mas bastou a Miss Brasil ser coroada para que uma enxurrada de ofensas raciais inundasse as redes sociais da piauiense, de apenas 18 anos. A exemplo do que já tinha acontecido com sua antecessora, Raissa Santana, que em dezembro de 2016, recebeu ofensas em sua página no Facebook, tento inclusive fotos alteradas relacionando-a com macacos, Monalysa revelou lamentar o acontecido,mas realmente eu já esperava”. Até porque essa não teria sido a primeira vez que a jovem enfrentou ofensas raciais na internet.

Infelizmente são muitos os casos e nesta matéria listamos apenas alguns. Em breve acompanhe aqui no Afrobrasileiros a Parte II da série de matérias sobre o “Racismo na Rede”.