Não há estudantes negros de nível A nas universidades de Oxford e Cambridge?

Política de admissão em instituições do Reino Unido se mostram excludentes, mas esta é uma realidade vivenciada apenas por lá? 

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Estudantes negros na universidade de Cambridge
Um total de 10 dos 32 colégios da Universidade de Oxford, localizada no Reino Unido, não aceitaram nenhum estudante negro de nível A. Como este é considerado o padrão para admissão no nível superior a instituição está sendo acusada de “apartheid social”, devido a política que vem adotando para admissão de estudantes.
O ex-ministro da Educação do país, David Lammy, disse em entrevista ao “Guardian” que “isso é um apartheid social e totalmente não representativo da vida britânica moderna”.
Através de um relatório foi possível identificar que em 2016 seis colégios da Universidade de Cambridge não admitiram um único estudante negro nível A no mesmo ano. E agora, os dados divulgados por Oxford revelam um cenário ainda mais excludente.
Apenas 1,5% de todas as vagas oferecidas para estudantes nível A foram para candidatos britânicos negros. Números que mostram que a situação pouco mudou desde 2010, quando Lammy solicitou que o mesmo relatório fosse entregue. Na ocasião, 21 colégios de Oxford e Cambridge não aceitaram nenhum estudante negro de nível A. Além disso, foi identificado que os alunos de regiões mais pobres, como o País de Gales e o noroeste da Inglaterra, dificilmente conseguem uma vaga nas duas universidades.
Um porta-voz de Oxford respondeu que a correção do problema é uma “longa jornada que requer esforços enormes e unidos em toda a sociedade, incluindo universidades líderes como Oxford, para enfrentar desigualdades graves”. Já Cambridge, respondeu que os processos de admissão se baseiam apenas em questões acadêmicas. “A maior barreira à participação em universidades seletivas para estudantes de origens desfavorecidas é o baixo rendimento na escola. Nós avaliamos as realizações desses alunos em seu contexto completo para garantir que os estudantes com maior potencial acadêmico sejam identificados”, afirmou a universidade, em comunicado.
 
Situação no Brasil
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Sob alegação similar a de Cambridge, de que “a maior barreira à participação em universidades seletivas para estudantes de origens desfavorecidas é o baixo rendimento na escola”, aqui no Brasil a situação não é muito diferente.
Um exemplo, é a matéria publicada no Portal G1, em março deste ano, sob o título: Número de estudantes negros cresce entre os calouros da USP Piracicaba, aponta que o total de pardos da instituição é de apenas 12%, enquanto o de brancos é de 78% do total. Isso, num país de maioria negra, segundo censo do IBGE.
Isso sem falar que em 2016, matéria da Agência Brasil expôs um cenário ainda mais dramático para os negros. O curso de medicina, um dos mais concorridos da USP, reduziu pela metade o número de pretos ingressantes em relação ao ano anterior. Em 2015, dos 300 aprovados pela vestibular, 234 (78%) eram brancos; 4 (1,3%) pretos; 30 (10%), pardos; 32 (10,7%), amarelos e nenhum indígena. Em 2016, dos 298 ingressantes, 238 (79,9%) são brancos; 2 (0,7%), pretos; 22 (7,4%), pardos; 36 (12,1%), amarelos; e nenhum indígena.
Um cenário que vem mudando a cada novo embate que a duras penas consegue alcançar objetivos que mesmo que não alcancem a plenitude, ao menos sinalizam que algo pode ser feito, como a aprovação de cotas raciais e sociais, além de programas como Prouni e Sisu.
Faculdade com viés na inclusão de negros
Nos Estados Unidos as HBCU’s (Universidades Historicamente Negras) datam de mais de 150 anos. Uma iniciativa que muito contribui para o acesso de negros à graduação. No Brasil, ou melhor, na América Latina, a Faculdade Zumbi dos Palmares foi pioneira com este viés.
Fundada há 14 anos, a instituição já contribuiu com a mudança de inúmeras vidas, que através da educação, acalcaram novos patamares. Sob o mote de “sem educação, não há liberdade”, a Zumbi dos Palmares destaca-se ainda pelo fomento a inclusão de negros no mercado de trabalho. Parcerias com empresas de ponta, nacionais e internacionais, têm possibilitado aos alunos da instituição que alcancem postos como trainee, podendo ser promovidos e chegar a figurar entre os cargos de liderança.