Indicada ao Prêmio da Música Brasileira, Larissa Luz quer ‘descolonizar’ São Paulo

Cantora baiana apresenta músicas fortes inspiradas em personalidades negras como Nina Simone, Elza Soares e Carolina de Jesus

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A baiana Larissa Luz desembarca em São Paulo neste sábado, 4, para “descolonizar” a capital paulista com a turnê Território Conquistado. Inspirada em personalidades negras como Nina Simone, Elza Soares e Carolina de Jesus, a artista apresenta o repertório maduro e de músicas fortes que lhe rendeu reconhecimento nacional e internacional.

Em um misto de homenagem e grito de resistência, o álbum Território Conquistadoconquistou indicações ao 17º Grammy Latino, ao Prêmio da Música Brasileira 2017 e, em agosto, arrebatou um troféu no Prêmio Caymmi de Música pelo clipe de Bonecas Pretas. A faixa destaca a ausência da diversidade no comércio e publicidade brasileira.

“Nós estamos indo contra o movimento que dominou grande parte do nosso tempo, que é a ditadura da estética branca. Falar o contrário e levantar essa bandeira é desafiador”, diz Larissa Luz. “Por isso, desconstruir e ‘descolonizar’ é um processo muito árduo, mas sinto que estamos avançando”.

Marcado por uma mistura de rap e samba raggae, o disco se conecta com a estética dos movimentos Afrofuturismo e Afropunk. Segundo Larissa, a produção de Território Conquistado foi um processo de canalização da realidade da mulher negra brasileira. Para isso, a coletânea contou com a colaboração da antropóloga Goli Guerreiro, responsável pela pesquisa e conceito da obra.

“Queria fazer um trabalho com fundamento, com argumento”, diz Larissa. “Eu queria saber como é a vida de outras mulheres negras que fizeram e continuam fazendo história”.

 

 

A cereja do bolo é Território Conquistado, faixa título do álbum. Gravada com Elza Soares, a canção é inspirada nas obras da escritora norte-americana Bell Hooks. A música sintetiza a luta da mulher negra para dominar novos espaços na sociedade. Segundo Larissa, a participação de Elza reforça a potência da canção. “Ela é a personificação da resistência. É um trovão, referência máxima.”

O álbum também se garante com Letras Negras, homenagem à brasileira Carolina de Jesus (de ‘Quarto de Despejo’) e à nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (de ‘Meio Sol Amarelo’). Nollywood, por sua vez, é um tributo ao cinema africano. Em Mama Chama, a dedicatória é para a mãe de Larissa, a professora Regina Luz. A faixa foi gravada com a interprete Thalma de Freitas, que recita o poema Espelhos, de Lívia Natália.

 

Apesar do sucesso, que lhe rendeu passagens por Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis e Medellín, na Colômbia, Larissa diz que os desafios de ser uma mulher negra e artista continuam os mesmos de antes de Território Conquistado. A cantora baiana começou a carreira à frente do Ara Ketu, onde permaneceu até 2012, quando lançou seu primeiro álbum solo, MunDança.

“A conquista é um trabalho árduo, diário”, diz a cantora, sem esconder planos para um novo álbum em 2018. “Sempre temos mais para ser conquistado. Eu só percorri um pequeno pedacinho e sei que tenho um longo caminho para trilhar.”

Serviço:

Território Conquistado – Larissa Luz

Dia: 04/11

Horário: 21h30

Local: Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo).

Ingressos: R$20 (inteira), R$10 (meia) – À venda no local e pela internet.