Conheça mais sobre Maria Gal: atriz, produtora e curadora da mostra “Realizadoras”

Maria Gal é curadora de mostra de cinema que será exibida na FlinkSampa 2017

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Foto: Guilherme Abreu Produções Artísticas

O portal Afrobrasileiros entrevistou Maria Gal, que possui múltiplos talentos, é atriz – vencedora do Festival Internacional de Madri na categoria melhor atriz, bailarina e produtora. E, neste ano é também curadora da mostra de cinema “Realizadoras” que acontece na FlinkSampa, a Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra, que já está em sua 5ª edição e é realizada pela Faculdade Zumbi dos Palmares.

Maria, que é uma das fundadoras da companhia de teatro Os Crespos, já tem trabalhos na televisão e no cinema, é engajada no combate ao racismo e no empoderamento feminino e negro. Ela conta também sobre seus trabalhos e projetos mais recentes.

Afrobrasileiros: Você foi vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival Internacional de Madri esse ano, com o filme “A Carga”. Como foi para você receber essa indicação e depois receber esse prêmio?

Maria Gal: Pra mim foi maravilhoso. Aliás, foi maravilhoso receber a indicação e receber o prêmio então, nem se fala. Representar o Brasil num festival internacional e ganhar um prêmio é realmente muito bom. Espero que venham mais (risos). E para mim foi de fato foi muito especial. É um filme que fala sobre uma caminhoneira. Expressa algumas representatividades na questão tanto da mulher, quanto da mulher negra, que no filme é apresentada de certa forma empoderada, pois é preciso ter coragem para trabalhar como caminhoneira. Temos poucas mulheres nessa profissão. Enfim, por todo esse conjunto foi muito significativo para mim, com certeza.

Afrobrasileiros: Atualmente você está no elenco do longa-metragem Dona Flor e Seus Dois Maridos, filme que será lançado neste mês de novembro. Como é para você fazer parte desse elenco, numa obra de Jorge Amado gravada em sua cidade natal, Salvador?

Maria Gal: É muito especial! Primeiro porque eu tinha feito o espetáculo e porque esse filme, também é produção do Marcelo Faria assim como foi o espetáculo. A equipe é fantástica e a direção é do Pedro Vasconcellos, que é um dos diretores da novela que acabou de terminar da TV Globo, ‘A Força do Querer’. Todos são extremamente acolhedores, competentíssimos e esse filme com certeza vai ser um grande sucesso. Além disso, filmar na cidade onde eu nasci, no Pelourinho inclusive, lugar que eu já tinha ido tantas vezes enquanto ainda morava em Salvador e muitas vezes depois de já ter mudado de lá foi muito especial. Foi uma bênção e um grande presente fazer esse trabalho.

Afrobrasileiros: A sua personagem Magnólia se interessa por Teodoro (Leandro Hassum), que é marido de Dona Flor (Juliana Paes). Como foi trabalhar com esse elenco? Vocês já haviam trabalhado juntos antes?

Maria Gal: Nunca tinha atuado com o Leandro Hassum. Com a Juliana eu já tinha trabalhado porque eu fiz uma participação em Gabriela, a série que foi ao ar na TV Globo há um tempo atrás. Foi incrível estar com os dois neste filme! Extremamente acolhedores, me senti muitíssimo à vontade, mesmo nas cenas mais ousadas (risos). Mas, vocês vão ter que assistir, porque eu não vou contar.

Afrobrasileiros: Você volta agora à televisão, dessa vez pelo SBT, em “As Aventuras de Poliana” como Gleyce, uma mulher batalhadora. Você pode antecipar um pouco mais sobre essa personagem?

Maria Gal: Nossa! Vocês estão sabendo de tudo, hein? Estou adorando! (risos). As aventuras de Poliana é o meu retorno ao SBT, eu tinha feito uma participação numa outra novela muito tempo atrás e está sendo incrível. É uma casa muito especial no sentido de tratamento e acolhimento com os atores, estou me sentindo super à vontade. A casa tem uma grande abertura para o que o artista propõe, então está sendo um trabalho muito bem construído e eu tenho plena certeza que essa novela tem tudo para ser um novo grande sucesso no SBT. Sobre a personagem eu não posso aprofundar muito porque a direção nos pediu para manter segredo. Mas o que eu tenho para adiantar é que a Gleyce é uma mãe de família, que faz parte de um núcleo negro. Infelizmente eu preciso ressaltar isso porque a gente vê ainda muito pouco negros em obras de audiovisual – tanto em novela, quanto filme – no qual tenha uma família negra, como se fosse algo impossível, ainda mais no Brasil. O Nando Cunha será meu par e teremos dois filhos adolescentes. Esse núcleo tem tramas bem contundentes, então tem uma possibilidade grande aí de trabalho, de mergulho em relação a essas personagens. Muitas vezes a gente vê uma atriz negra ou um ator negro fazendo parte do elenco de uma novela e é perceptível que o ator é muito bom, mas muitas vezes infelizmente o personagem não tem trama. Então, fica ali meio de suporte para um outro ator. Ou ainda, muitas vezes também, esse personagem está em algum papel estereotipado. Quanto a Gleyce, ela é uma mulher guerreira, que representa a mulher negra brasileira no sentido de correr atrás, de trabalhar para conquistar novos objetivos, para crescer, fazer a família crescer inclusive economicamente.

Afrobrasileiros: Como é voltar à emissora na qual você já trabalhou em um grande sucesso que foi a novela Carrossel?

Maria Gal: Voltar á casa foi um grande presente esse ano. Voltar neste momento com uma personagem que tem contundência dentro da trama está sendo realmente muito bom. A gente tem um elenco incrível, de excelentes atores, de pessoas muito queridas. Está sendo uma troca muito especial. É uma novela inspirada num livro que chama Poliana e nesse livro a personagem tem o dom de transformar algo negativo em algo positivo. Algo que estamos precisando nesse momento, inclusive quanto a questão política no Brasil.

Afrobrasileiros: Na FlinkSampa 2017 você é a curadora da mostra de cinema “Realizadoras”. Como está sendo para você essa experiência?

Maria Gal: Estar como curadora da mostra Realizadoras está sendo gratificante porque eu pude ter contato com algumas obras de grandes realizadoras brasileiras. Desde mulheres que produziram curtas-metragens, longas de ficção, longas e documentários. Poder empoderar na mostra essas mulheres foi realmente muito gratificante. A gente tem na mostra, por exemplo, um filme que esteve esse ano no festival de Gramado, ‘O Caso do Homem Errado’ que é um documentário que fala sobre o genocídio da juventude negra e um filme que foi criado e produzido por mulheres negras. É muito significativo poder mostrar essas obras, esses filmes, para o público da FlinkSampa. Para mim, a Flink é um evento extremamente importante para o Brasil e para uma cidade como São Paulo, ainda mais num momento como o que a gente está.

Afrobrasileiros: A produção audiovisual já é um tema familiar para você, porque além de atuar você também produz conteúdo, engajado, trazendo a discussão do empoderamento e da representatividade. Você pode contar um pouco sobre o projeto “Mulheres Negras no Audiovisual”?

Maria Gal: Poder produzir, desenvolver e elaborar conteúdo que de alguma forma empodere a representatividade feminina e negra para mim é uma missão. De fato é uma missão porque é um tema que me instiga muitíssimo por vários motivos, um deles pelo fato de ser atriz e pela consciência de que tudo que é produzido no Brasil, no sentido de filmes e longas-metragens, as mulheres, personagens negras, femininas representam apenas 4,4% dessas produções. Se a gente for para a publicidade, muito menos. As mulheres negras estão apenas em 1% das campanhas. Então ter a dimensão e o conhecimento estratégico de começar a produzir audiovisual, para mim realmente é uma missão. Eu já produzia teatro e há um tempo venho estudando e desenvolvendo projetos de audiovisual, que é uma área extremamente branca e masculina nas suas posições de maior poder. Para mim está sendo uma grande experiência e eu tenho certeza que vem aí bons, excelentes projetos (em um prazo de dois ou três anos), extremamente importantes para a sociedade brasileira. Aproveitando eu vou fazer minha publicidade! Estou lançando esse ano o meu canal no YouTube que vai falar sobre diversas questões que remetem ao tema de empoderamento negro e feminino. O nome do canal é Ponto de Vista por Maria Gal. Então, espero que vocês acessem, curtam e se inscrevam nesse canal que vai trazer muitos temas instigantes para essa área e sobre a questão de empodera