“Fazendo arte” negros encontram no empreendedorismo a saída para a exclusão no mercado de trabalho

Artesão cria versão de esponja nudred mais durável e higiênica

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Não é de hoje que o empreendedorismo tornou-se uma fonte de inclusão para negros no mundo dos negócios. Se é difícil conquistar vagas no mercado de trabalho formal, sobretudo em cargos de liderança, ganhando altos salários, a solução para quem quer contrariar as estatísticas é fazer acontecer.

Desta forma, são inúmeros os negros e negras que têm o próprio negócio. A variedade de empreendimentos é enorme, desde o setor gastronômico, passando pela prestação de serviço (cabelereiros, manicures…) e também quem busque a evolução através da arte. Como é o caso dos artistas plásticos e artesãos.

Gilberto Gonçalves é uma dessas pessoas que sabe usar o dom que tem. Artesão, ele cria e inventa acessórios que têm por missão deixar qualquer criança, mulher ou homem mais embelezados.

“Desde pequeno, eu já me interessava por fazer coisas devido a influência da minha mãe, Dona Nega, que fazia chinelos, tranças e muitas outras coisas. Aos nove anos que fiz um carro de rolamento que o meu tio conseguiu vender. Depois disso me dediquei à marcenaria, gráfica e entalhamento em madeira”, relembra o multifacetado Gilberto.

O empreendedor nato chegou a vender “correntinhas trançadas”, com apenas treze anos de idade, para pagar a academia de judô, onde treinava. Uma história que deu certo, não nas artes marciais, mas sim no artesanato, que há sete anos é a fonte de renda de Gilberto. “Estudei economia criativa e isso despertou o entendimento que além de fabricar acessórios afro lindos eu produzo itens étnicos, que representam a cultura afro-brasileira”, ressalta.

Futuramente o artesão pretende criar “uma incubadora, para que tenhamos uma escola de tranças, onde além de formação e qualificação possa ser ensinada a produção organizada, com foco no mercado de trabalho”, vislumbra o artesão.

Totalmente ligado a ancestralidade africana, o menino que começou fazendo tranças busca através de seu trabalho incentivar a “afro estima”, como ele mesmo diz. Não para menos, o nome da linha de acessórios que fabrica se chama ‘Afrá Elegance’. “Amo fazer coisas afro lindas para mulheres e crianças”, afirma.

Ao perceber que faltavam produtos para homens Gilberto começou a pesquisar e está lançando uma versão muito mais duradoura da esponja nudred. “Uma amiga que vive na Flórida me apresentou um vídeo no qual um rapaz enrolava o cabelo com uma raquete de tênis. Achei curioso e meses depois resolvi empreender em algo barato e funcional”.

Ele “compactou a raquete de tênis” e criou uma versão para a esponja que além de não reter vestígio de cremes e fungos é mais durável. “Por ser um produto compacto é fácil de transportar e há opções em várias cores e modelos”.

A criação de Gilberto se chama ‘Torsaids’ e pode ser utilizada por crianças, mulheres e homens. Ademais, como é fabricada em madeira a ideia do artesão ainda equilibra a eletricidade estática. “Meu objetivo é de produzir muito, inovar e não parar por aí. Com o lucro vou investir na incubadora e ampliar a produção dos demais acessórios que vendo, para tornar a vida do nosso povo mais feliz”, idealiza o artesão.

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