Em ação pelo dia da Consciência Negra, professora espalha mais de mil bonecas abayomi

As bonecas, criadas na época da escravidão, foram espalhadas em um terminal de ônibus com a intenção de interagir com as pessoas que passaram pelo local

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Margareth Rangel, que é professora de arte, foi a responsável por uma inovadora ação pelo dia da Nacional da Consciência Negra em Foz do Iguaçu. Ela confeccionou e espalhou pelo terminal de transportes urbanos 1,2 mil bonecas abayomi.

Apesar de muitas reações desconfiadas, forma muitos os casos de pessoas que passavam e levavam o presente para casa.

Em entrevista ao G1 a professora revelou que a intenção era que as pessoas tirassem suas próprias conclusões sobre a intervenção. “As pessoas tinham primeiro medo. Algumas evitavam sentar nos bancos, desconfiadas, achavam que era macumba, resultado do preconceito que está tão enraizado em nós”, disse.

A escolha das bonecas abayomi também foi simbólica e segundo Margareth é uma homenagem às mulheres negras. “As mães encontraram em meio àquela tristeza, uma forma de acalentar seus filhos. Aproveitei a data para protagonizar a raça negra, lembrar que somos a maioria populacional e não nos reconhecemos como tal. Também quis valorizar a mulher, a mãe negra”, ressaltou.

As bonecas são uma herança da época da escravidão. Eram feitas com pedaços de tecidos das saias das mulheres nos navios negreiros e foram uma forma de levar alegria e distração para as crianças que também vinham nas longas travessias nos porões.