Intelectuais negros brasileiros

Conheça um pouco mais sobre negros que inspiram

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Muitas vezes, nem nas salas de aula das escolas e nem do ensino superior são trazidos nomes de personalidades negras que contribuíram e ainda contribuem através de seus estudos para diversas áreas do conhecimento.

Desde as ciências sociais como Sociologia, Antropologia e História até a Medicina, Física e outras diversas áreas, muitos brasileiros negros deixaram e ainda deixam marcas importantes, que vão além da atuação como ativistas e militantes pela igualdade racial no Brasil.

 

Abaixo é possível conferir um pouco mais sobre estes nomes, que devem ser mantidos na memória:

 

Abdias Nascimento (1914-2011)

Abdias foi ator, escritor, dramaturgo, poeta, artista plástico, professor universitário e é considerado um dos maiores expoentes da cultura negra no Brasil e no mundo por sua atuação tanto como intelectual quanto como ativista. Ao longo de sua trajetória fundou entidades pioneiras na valorização e preservação da cultura negra como o Teatro Experimental do Negro (TEN), o Museu da Arte Negra (MAN) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). Como ativista foi um dos idealizadores do Movimento Negro Unificado (MNU) e atuou em movimentos nacionais e internacionais como a Frente Negra Brasileira, a Negritude e o Pan-Africanismo.

 

Clóvis Moura (1925-2003)

Foi um importante sociólogo, jornalista, historiador e escritor brasileiro que desenvolveu a Sociologia da Práxis Negra, obra que questiona a visão de Gilberto Freyre sobre a passividade do negro no Brasil e dá destaque para o que foram os Quilombos. Em muitas de suas pesquisas e análises, a partir de uma visão marxista, ele aborda o tema da rebelião de escravos, formação dos quilombos e no contexto pós-abolição sobre a privação do direito à propriedade aos negros. Além disso, foi militante do Partido Comunista Brasileiro e um dos pioneiros na luta do movimento negro e como jornalista escreveu diversos artigos para jornais de São Paulo e da Bahia.

 

Lélia Gonzalez (1935 – 1994)

Mineira da capital Belo Horizonte, Leila foi uma intelectual, política, professora e antropóloga brasileira. Graduada em História e Filosofia ela foi professora da rede pública e em suas aulas, em meio aos duros anos de Ditadura Militar, criou um espaço de resistência e crítica político-social. Depois de tornar-se mestre em comunicação social e doutora em antropologia política ela se dedicou as pesquisas sobre as relações entre gênero e etnia, estudando muito sobre as situações que permeiam a formação social das mulheres negras. Também foi parte da fundação do Movimento Negro Unificado (MNU), do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), do Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga, do Olodum além de sua militância na defesa da mulher negra, que a levou ao Conselho Nacional dos Direitos da Mulher entre os anos de 1985 e 1989.

 

Beatriz Nascimento

A sergipana Beatriz Nascimento migrou na década de quarenta para a capital do Rio de Janeiro onde cursou História, aos 28 anos, na UFRJ. Ela dedicou sua vida ao tema étnico-racial no Brasil e para que o mesmo ganhasse visibilidade dentro e fora da academia. Para maior envolvimento do corpo docente nos estudos sobre a África, ela foi fundadora do grupo de ativistas negros chamado Grupo de Trabalho André Rebouças, na Universidade Federal Fluminense, onde fez sua pós-graduação. Teve artigos publicados em revistas acadêmicas como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e também concedeu entrevistas à grande mídia.

 

Jurema Werneck

Formada médica, pós-graduada em Engenharia de Produção e doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal Fluminense Jurema tem uma trajetória marcada por aliar a atuação como ativista à sua formação profissional. Atualmente ela é diretora da Anistia Internacional e tem histórico ativismo em questões de raça, gênero, orientação sexual e direitos humanos. É coordenadora da ONG Criola, foi representante do movimento negro no Conselho Nacional de Saúde, é parte do Grupo Assessor, da Soco Board of Directors, do Global Fund for Women, do Conselho Curador do Fundo Brasil de Direitos Humanos e do Comitê Técnico de Saúde da População Negra do Ministério da Saúde. Seus principais temas de atuação são: mulheres negras, cultura afro-brasileira, antirracismo, saúde da população negra, iniquidades em saúde, políticas públicas para a equidade de gênero e raça.

 

Sueli Carneiro

Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo Sueli é fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, que se consolidou como organização pioneira em São Paulo, com perfil negro, feminista e independente.

Ela é criadora do único programa nacional de orientação nas áreas de saúde mental e física voltado para exclusivamente para mulheres negras, proporcionando atendimento a mais de trinta milhões de mulheres por psicólogos e assistentes sociais. É teórica da questão da mulher negra e já integrou o Conselho Nacional da Condição Feminina (1988), onde criou um plano específico para a juventude negra – o Projeto Rappers. Também é autora de obras que abordam de forma crítica os principais avanços na superação das desigualdades criadas pela discriminação racial, através de indicadores sociais e de ações como as cotas étnico-raciais e a obrigatoriedade de ensino da História e Cultura Africana em escolas públicas, por exemplo.

 

Milton Santos

Formado em Direito, sempre teve atuação como professor de geografia para ensino médio na Bahia. Concluiu doutorado em geografia na França.

Teve frequente envolvimento com questões políticas, chegou a participar do governo em 1960 mas pós golpe militar foi preso. Depois disso trabalhou em universidades da França, Canadá, Estados Unidos, Venezuela e Tanzânia.

Quando retornou ao Brasil, iniciou uma carreira na Universidade de São Paulo, onde ministrou aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, na Faculdade de Geografia e tornou-se Professor Emérito da FFLCH – a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Foi o primeiro nativo de um país subdesenvolvido a receber o prêmio Vatrin Lud, que é um tipo de Nobel da Geografia.  

 

Sonia Guimarães

Sonia é a primeira mulher negra brasileira doutora em Física pela University of Manchester Institute os Science and Technology e é parte do corpo docente do ITA (o Instituto Tecnológico da Aeronáutica) há 24 anos. Sua atuação se dá na área de física aplicada, já conduziu inclusive pesquisas sobre sensores de radiação infravermelha, mas a ênfase de seu trabalho está em Propriedades Eletrolíticas de Ligas Semicondutoras Crescidas Epitaxialmente.

 

Carlos Eduardo Dias Machado

Graduado em História pela USP é mestre com dissertação sobre o tema “População negra e escolarização na cidade de São Paulo nas décadas de 1920 e 1930”. Como consultor da Editora Moderna atuou na área de história da África e dos afrobrasileiros e atua na área de ensino desde 1999. Os principais temas por ele trabalhados estão ligados às questões raciais, como branquidade, políticas públicas para negros, relações raciais, negros na ciência, ações afirmativas, diáspora africana e história da África.