Somália: ONU manifesta preocupação com destruição de abrigos para pessoas deslocadas

Um oficial das Nações Unidas na Somália expressou profunda preocupação com as informações da destruição de acampamentos para pessoas internamente deslocadas, assim como de infraestrutura humanitária, em Mogadíscio, na Somália. “Alguns desses deslocados caminharam longas distâncias de diferentes partes do país, fugindo da seca e do conflito”, disse Peter de Clercq, vice-representante especial do secretário-geral da ONU para a Somália, lembrando que em 29 e 30 de dezembro mais de 23 acampamentos, que abrigavam mais de 4 mil pessoas, foram destruídos.

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Crianças desnutridas, muitas delas sofrendo com a diarreia, são atendidas em hospital de Banadir, em Mogadíscio, Somália. Foto: ONU/Tobin Jones

Um oficial das Nações Unidas na Somália expressou profunda preocupação com as informações da destruição de acampamentos para pessoas internamente deslocadas, assim como de infraestrutura humanitária, em Mogadíscio, na Somália.

“Estou profundamente entristecido ao saber dos despejos, sem anúncio anterior, de pessoas internamente deslocadas na região de Banadir”, disse Peter de Clercq, vice-representante especial do secretário-geral da ONU para a Somália, em comunicado emitido na segunda-feira (1).

“Alguns desses deslocados caminharam longas distâncias de diferentes partes do país, fugindo da seca e do conflito”, disse, lembrando que em 29 e 30 de dezembro mais de 23 acampamentos, que abrigavam mais de 4 mil pessoas, foram destruídos.

O oficial da ONU, que também é coordenador humanitário das Nações Unidas para a Somália, acrescentou que bens pessoais e de subsistência foram perdidos uma vez que as pessoas não tiveram tempo de recolher seus pertences antes da demolição.

“Famílias, incluindo crianças, mulheres e idosos estão agora sem moradia”, declarou.

Além de entrar em contato com as autoridades para garantir uma solução para as pessoas deslocadas, equipes humanitárias estão mobilizando recursos para fornecer assistência essencial aos afetados.

“Estou igualmente preocupado com o fato de que quando todo mundo está atento à agenda de melhorar a vida dos somalis, instalações humanitárias e de desenvolvimento estão sendo destruídas, incluindo hospitais, latrinas, pontos de fornecimento de água potável, centros sanitários, abrigos e outros investimentos generosamente feitos por doadores”, salientou.

Por toda a Somália, mais de 2 milhões estão deslocados devido à seca e ao conflito, incluindo 1 milhão somente em 2017. Essas pessoas representam um terço das 6,2 milhões em necessidade de assistência humanitária.

“Peço a todas as partes que protejam e apoiem todos os civis que fugiram do conflito e da seca e que já sofreram tanto. As equipes humanitárias estão prontas para cooperar e apoiar as autoridades nesse tema”, disse o oficial da ONU.

As taxas de desnutrição estão aumentando e atingiram níveis de emergência em algumas localidades, especialmente entre pessoas internamente deslocadas. Os deslocados não têm acesso a comida, abrigo e serviços básicos, e também enfrentam riscos, como ataques físicos, violência baseada em gênero e restrições de mobilidade.