Cotistas fora da Faculdade de Medicina da USP: notas mínimas atingem até 800 pontos no SISU

Pelo menos 5 cursos, que exigiam desempenho acima de 650 nas provas do ENEM, ficaram sem notas de corte parciais e sem estudantes inscritos

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A primeira chamada do SISU – Sistema de Seleção Unificado, que é a forma de seleção para as principais instituições públicas de ensino superior do país e que leva em consideração o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, aconteceu nesta segunda (29) e trouxe decepção aos estudantes esperançosos em conquistar uma vaga em cursos da maior universidade da América Latina, a USP.

 

As notas de corte, especialmente na modalidade das cotas para estudantes oriundos de escola pública e raciais, acabaram fechando tão altas que em casos como da Faculdade de Medicina da USP, houve menos candidatos do que vagas, o que impediu que o cálculo de notas parciais fosse feito.

 

A FMUSP aderiu a esta forma de ingresso pela primeira vez este ano e reservou no total 40 vagas para ações afirmativas, sendo 25 escola pública e 15 para candidatos autodeclarados pretos pardos ou indígenas.

 

Mas, o sistema não pôde calcular nem mesmo as notas de corte parciais, que dependem das notas dos inscritos, porque o curso não atingiu quantidade de candidatos superior à quantidade de vagas oferecidas. A nota exigida pela Faculdade de Medicina era de pelo menos 700.

 

Quanto às vagas que não foram preenchidas pelo Sisu, a USP informa que devem ser direcionadas aos candidatos no próprio vestibular, a Fuvest,  na modalidade das cotas sociais e raciais, que este ano devem atingir a meta de 37%.  

 

Além de medicina, fisioterapia e fonoaudiologia, que são cursos da FMUSP também não preencheram suas vagas pelo Sisu e tiveram notas por volta de 650 em todas as provas.

 

Histórico da FMUSP revela discrepância na quantidade de estudantes negros

 

O curso de medicina da USP, que é um dos mais concorridos do país, há muito tempo é motivo das principais reivindicações do movimento negro de dentro e de fora da universidade. Os estudantes negros e pardos são historicamente minoria dos ingressantes, enquanto autodeclarados pretos ou pardos são cerca de 37% em São Paulo, e mais de 54% em todo país.

 

No vestibular de 2016, o curso seguia na contramão do que vivia os demais cursos da Universidade de São Paulo e reduzia o percentual de ingressantes negros. Em 2015, dos 300 aprovados, foram 1,3% de autodeclarados pretos e 10% de pardos. Enquanto em 2016 foram 0,7% de pretos e 7,4% de pardos. Os dados do ano passado ainda não foram divulgados, e neste ano de estreia da Faculdade na modalidade de cotas sociais e raciais pelo Sisu as vagas não foram preenchidas.