Assinada notificação para tombar documentos da Revolta dos Búzios

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Integrantres do movimento negro baiano, políticos e representantes de órgãos públicos assinaram, nesta terça-feira (30), em Salvador, a notificação para tombamento dos documentos relacionados à Revolta dos Búzios como Patrimônio Cultural da Bahia.

A Revolta dos Búzios é narrada nos livros de História do Brasil, e também é conhecida por outros termos, como Conjuração Baiana, Inconfidência Baiana ou Revolta dos Alfaiates.

O movimento popular defendia o fim da escravidão e a independência. Ocorreu entre 1789 e 1792, período em que pessoas de várias classes sociais foram denunciadas por participarem do movimento.

Mas em 8 de novembro de 1982, quatro pessoas foram condenadas e decapitadas: dois soldados, Lucas Dantas Torres e Luiz Gonzaga das Virgens o mestre alfaiate, João de Deus Nascimento e o aprendiz de alfaiate, Manuel Faustino dos Santos Lira. Todos se tornaram mártires na luta pela igualdade, independência e pela abolição da escravidão, na Bahia.

Os documentos relacionados à Revolta dos Búzios existem há 271 anos e, segundo João Carlos de Oliveira, Diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), o tombamento, em nível estadual, pode ocorrer dentro de um ano, mas, com a notificação desta terça-feira, os papéis já passam a ser cuidados de forma mais criteriosa.

O pedido de tombamento dos arquivos foi feito por representantes da sociedade baiana e integrantes de movimentos, como grupo cultural Olodum, Associação Cultural Ilê Ayiê, além das entidades envolvidas, como o Ipac, e deputados estaduais que aprovaram o projeto.

Para o diretor-presidente do Olodum, João Jorge, o tombamento é de importância para os movimentos negros.

Os documentos, cujo tombamento foi solicitado, estão guardados no Arquivo Público da Bahia, administrado pela Fundação Pedro Calmon, da Secretaria estadual de Cultura.

O Diretor Geral da Fundação, Zulu Araújo, destaca a Revolta dos Búzios como “seguramente, um dos eventos sociopolíticos mais importantes do Brasil”.

Segundo o Ipac, a partir do tombamento, o bem cultural passa a ter prioridades nas linhas de financiamento municipais, estadual, federal e até internacionais.

Com o recurso, é possível investir na conservação do patrimônio tombado, na difusão do assunto e até no financiamento de mais pesquisas.

Além disso, o instituto pretende digitalizar os documentos, até o ano que vem.

Autor: Agência Brasil