Da Ghama brinda ao público com homenagem a década dos afrodescendentes

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Há anos quando Da Ghama despontou para fama dominando os acordes da guitarra na banda Cidade Negra tivemos a oportunidade de conhecer um homem negro, que assim como tantos outros que viviam em Belford Roxo, ousava sonhar apesar das dificuldades de enfrentar diariamente a rotina de se levantar de madrugada para trabalhar o dia inteiro e só voltar para casa na hora de dormir.

 

Da Ghama sonhou alto e transpôs seus desejos, vivências, paixões e essência no papel. Compôs assim músicas inesquecíveis que entre outras levaram o Cidade Negra a se tornar uma das bandas de maior sucesso na década de 90.

 

Na carreira solo o cantor e compositor ainda tem “milhas e milhas” a percorrer “antes de dormir”.

 

Afrobrasileiros – Qual sua percepção em relação ao mercado fonográfico atualmente?
Da Ghama – O mercado da música de hoje, embora esteja mais democrático devido a internet, está muito mais difícil principalmente para quem inicia à carreira. Isso se deve a crise financeira no país e no mundo. Infelizmente ainda dependemos do financeiro para que os projetos se tornem. Ainda mais para alcançar uma real visibilidade. Poucos têm a sorte de se tornar um grande “sucesso”, na maior parte dos casos não passam apenas da novidade do momento.

 

Afrobrasileiros – Já enfrentou algum preconceito por ser um cantor de Reggae?
Da Ghama – Sinceramente não! Não sei se é pelo fato deu te me tornado referencia no mercado, devido ao sucesso das minhas músicas em parceria com a banda Cidade Negra. Mesmo no incio da carreira não me lembro de ter sofrido preconceito, dificuldade para trabalhar no incio de uma carreira existe independente do estilo. Então não posso afirmar que as dificuldades na época estavam ligadas ao preconceito pelo fato de eu ser um cantor de Reggae.

 

Afrobrasileiros – Como foi pensado este novo trabalho? O que os fãs podem esperar?
Da Ghama – O projeto BaixÁfrikaBrasil foi pensado a partir do anuncio de que Ban Ki-Moon, secretário geral da ONU, por volta do ano de 2013, anunciou que a partir de 2014 estava decretada a década do afrodescendente. Foi aí que tive a ideia de criar o projeto BaixÁfrikaBrasil regravando grandes nomes do Reggae Nacional. Cantores e bandas que sempre tiveram comprometimento com o combate ao racismo entre outros embates sociais. Faço essa homenagem em particular a minha querida Baixada Fluminense e aos compositores da nossa MPB. Essa década é o momento para que todos possam contribuir com ações que tenham como objetivo devolver a auto estima ao povo negro e contribuir com a nossa historia, que não é contada em livros oficias.

 

Afrobrasileiros – Qual a música de trabalho do BaixÁfrikaBrasil?
Da Ghama – “Frisson”, uma regravação de Tunai, de autoria de Sergio Natureza. Um clássico da nossa MPB. Esta é a segunda canção que estamos trabalhando. Tivemos também a música “Trabalhador” que contou com a participação do Serjão Loroza. Assista ao vídeo: