Mulheres negras contra a desigualdade, a potência de discursos das famosas

Relembre discursos marcantes de celebridades que usaram sua voz para denunciar desigualdades

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O discurso da apresentadora norte-americana Oprah Winfrey durante a edição deste ano da premiação do Globo de Ouro  tem tido grande repercussão nas redes sociais e na imprensa mundial.

Assim como ela, outras mulheres negras em seu espaço de maior visibilidade, seja em premiações, eventos ou redes sociais também fizeram história com discursos super emocionados contra a desigualdade racial e de gênero.  

Relembre alguns deles:

 

Viola Davis

A atriz norte-americana Viola Davis fez um discurso que percorreu o mundo ao receber o Emmy de melhor atriz e se consagrar como a primeira negra a vencer nesta categoria em dezenas de anos de premiação.

“Na minha mente, vejo uma linha. E depois dessa linha, vejo campos verdes, flores adoráveis e lindas mulheres brancas com seus braços esticados na minha direção, depois dessa linha. Mas não consigo chegar lá. Não consigo passar dessa linha.’

Quem disse isso foi [a ex-escrava e abolicionista americana] Harriet Tubman, nos anos 1800. E deixem-me dizer algo a vocês: a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade.

Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem. Então aqui vai um agradecimento a todos os roteiristas, as pessoas incríveis que são Ben Sherwood, Paul Lee, Peter Nowalk, Shonda Rhimes, pessoas que redefiniram o que significa ser bonita, ser sexy, ser protagonista, ser negra.

E para as Taraji P. Hensons, as Kerry Washingtons, as Halle Berrys, as Nicole Beharies, as Meagan Goods, as Gabrielles Unions: obrigada por nos fazer passar da linha. Obrigada à Academia do Emmy. Obrigada.”

Serena Willians

A tenista, que já foi considerada a número 1 do mundo, vencedora de 23 títulos Grand Slam e de 7 torneios abertos da Austrália falou em entrevista ao The Guardian sobre a desigualdade de gênero e como isso a afetava ao sonhar com o esporte.

Quando eu era criança, tinha o sonho de ser o melhor jogador de tênis do mundo – não a melhor tenista mulher. Pude contar com o apoio da minha família, mas sabemos quão frequente é uma mulher ser desacreditada. Para mim, exigiu resiliência: transformei o que descreviam como fraqueza – meu sexo, minha raça – em combustível. Fico frustrada ao falar de inequidade salarial, pois fiz os mesmos sacrifícios que meus colegas homens e não quero isso para minha filha ou meu filho. Devemos continuar sonhando grande e, assim, empoderar a próxima geração de mulheres para que elas sejam ousadas em suas lutas.

Taís Araújo

A atriz, que já foi alvo de ataques racistas na internet, tem utilizado tanto as redes sociais quanto os espaços onde participa com maior visibilidade para levantar questões sobre a situação de desigualdade em que se encontra o Brasil. Através de seu perfil numa rede social ela publicou um texto sobre as preocupações que tem em relação aos desafios que sua filha pode enfrentar.

“Fiquei desesperada quando recebi o exame médico e descobri que estava grávida de uma menina. Toda minha vida passou pela minha cabeça em segundos – as meninices, as alegrias e as dores femininas. E também todo o machismo embutido na cultura e na educação. Maria Antônia, você me faz querer ser melhor a cada dia. Seu sorriso me dá coragem pra batalhar por um mundo honesto e justo para todos, me dá força pra gritar de peito aberto e sem medo de me expor. Grande parte do que eu sou hoje, devo a você.”

No final do ano passado a atriz falou sobre o racismo no Brasil e tcsobre dificuldade envolvidas no processo de educação dos seus filhos em uma palestra de um evento da TEDx, chamada “Como criar crianças doces num país ácido”. O vídeo da palestra teve muita repercussão nas redes sociais.