Ampliação de faixa etária para transplante de medula assegura mais qualidade de vida a portadores de anemia falciforme

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O Ministério da Saúde (MS) acaba de divulgar a ampliação da faixa etária para indicação de transplante de medula aparentado para tratamento da doença falciforme – disfunção genética que atinge principalmente a população negra – maioria entre a população brasileira e entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em parceria, o Ministério dos Direitos Humanos, via Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e o MS disponibilizam para gestores públicos e sociedade civil das cinco regiões do país as ações da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. O Plano reconhece e assume a necessidade da implantação de mecanismos de promoção da saúde da população negra e enfrentamento ao racismo institucional, a fim de superar barreiras que incidem negativamente nos indicadores de saúde dessa população.

 “Recebemos essa notícia com grande satisfação, pois começamos a recolher os frutos da implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Atuando juntos na compreensão da situação de vulnerabilidade dos negros no Brasil, nosso objetivo é eliminar as desigualdades étnico-raciais, o racismo institucional e oferecer atendimento aos indivíduos de acordo com suas especificidades”, celebra o secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Juvenal Araújo.

Um segundo trabalho, desenvolvido por ação conjunta e transversal das pautas entre as instituições, está no cumprimento da Portaria nº 344 de 1º de fevereiro de 2017 que dispõe sobre o preenchimento do quesito raça/cor nos formulários dos sistemas de informação em saúde.

A declaração da raça/cor é importante para a construção de políticas públicas, pois permite que os sistemas de informação do SUS consolidem indicadores que traduzem os efeitos dos fenômenos sociais e das desigualdades sobre os diferentes segmentos populacionais.

Progresso e equidade em saúde – A idade já não é critério de restrição para esse transplante de medula para tratamento da doença falciforme, único método de curar a doença no SUS. Baseado em evidências científicas, o MS decidiu ampliar a faixa etária para dar mais qualidade de vida às pessoas com essa doença. A partir de agora, pessoas acima de 16 anos podem fazer o transplante alogênico aparentado de medula óssea, de sangue periférico ou de sangue de cordão umbilical, do tipo mieloablativo, para tratamento da doença falciforme. Trata-se de mais uma ação do SUS para fortalecer a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme (PNAIPDF). A conquista é considerada um avanço, já que havia uma reivindicação de especialistas e da sociedade civil.

Assistência – A realização do Teste do Pezinho é fundamental para a identificação precoce e acompanhamento dos casos, bem como para o planejamento e organização da rede de atenção integral. O exame deve ser realizado nos postos públicos de saúde na primeira semana de vida.

Todos os medicamentos que compõem a rotina do tratamento são disponibilizados no SUS. Os que integram a farmácia básica são: ácido fólico (de uso contínuo), penicilina oral ou injetável (obrigatoriamente até os cinco anos de idade), antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios (nas intercorrências). A hidroxiuréia, os quelantes de ferro, o dopller transcraniano e transfusões sanguíneas integram os medicamentos e procedimentos para atenção especializada. O rigoroso programa de vacinação estabelecido no calendário nacional também é outro importante fator de redução da mortalidade infantil por infecções, pois as crianças com a doença falciforme possuem um risco aumentado em 400 vezes em relação à população em geral.

A Anemia Falciforme – Também chamada de drepanocitose, é uma doença hereditária que causa a destruição dos glóbulos do sangue. As hemácias, que são os glóbulos vermelhos do sangue, têm na sua composição uma proteína chamada hemoglobina, que é responsável pelo transporte de oxigénio dos pulmões até os tecidos do corpo.  As evidências levam a crer que a doença surgiu como autodefesa do organismo humano para se proteger da malária, doença comum e muito séria nas regiões de clima quente.