Rei nigeriano é homenageado no Rio; Ooni de Ifé reforçou origem nobre de afro-brasileiros

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Em homenagem recebida nesta segunda-feira (11) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o rei da cidade de Ifé, Ooni Adeyeye Enitan Ogunwusi, líder espiritual dos Yorubás e uma das mais importantes personalidades da Nigéria, na África, deixou uma mensagem de força e igualdade a todos os afrodescendentes brasileiros, ao lembrar a nobreza da origem de todos eles.

Ooni de Ifé, o Ojaja II, diz que os afro-brasileiros descendem de reis, rainhas, príncipes e princesas. E que o povo negro não foi escravo e sim escravizado. Adeyeye foi condecorado no plenário da Alerj com a maior honraria do Estado, a medalha Tiradentes.

Em seu discurso, Ooni de Ifé destacou que a Nigéria e o Brasil têm muito em comum, e que por isso deveriam estar naturalmente conectados para elevar a autoestima dos afrodescendentes. E lembrou que a escravidão tirou mais de 40 milhões de pessoas negras da África.

Ele também afirmou que a intolerância religiosa é inaceitável e que os seguidores das diversas religiões procuram Deus por caminhos diferentes, mas que todos tem o mesmo destino.

Durante a solenidade, o deputado Zaqueu Teixeira, do PSD, autor da honraria, ressaltou a atuação do rei em defesa das mulheres e dos jovens.

E afirmou que ele criou programas para promover a autonomia financeira das mulheres, dar oportunidades para o acesso de jovens à universidade e reforçar os vínculos da cultura iorubá pelo mundo.

O presidente em exercício da casa, deputado André Ceciliano, que abriu a sessão solene fez uma saudação na língua iorubá, pedindo ao rei que traga sorte para o povo brasileiro. Várias lideranças de religiões de matriz africana acompanharam o evento.

O presidente do Centro Cultural Africano no Brasil, Otumba Aderonnu , ressaltou a importância da presença de uma figura tão importante no país.

Mãe Martha de Oxaguiã também comentou a representatividade do rei de Ifé, no país.

O atual Rei de Ifé subiu ao trono em 2015.

Desde então, realizou visitas a países como Estados Unidos, Canadá, Gana, Reino Unido, entre outros.

Esta é a primeira vez da comitiva na América Latina. Ele já passou por Salvador, na Bahia, e permanece no Rio até o dia 13 de junho.

Foto: Divulgação

Na agenda de Adeyeye estão previstos uma cerimônia aos ancestrais no Cais do Valongo, eleito no ano passado Patrimônio cultural da humanidade, pela Unesco,o reconhecimento de Rio e Ifé como cidades irmãs e uma prece inter-religiosa no Cristo Redentor.