4ª Bienal do Livro e da Literatura destaca a importância da literatura negra em diversos encontros, mesas e debates.

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A 4ª Bienal Brasil Do Livro e da leitura inicia neste sábado (18) em Brasília. Este ano os organizadores programaram uma série de atividades que integram novas e variadas vozes literárias ligadas ao que se convencionou chamar de “literatura negra”. São autores com identidades próprias, com escritas engajadas no olhar sobre a questão da marginalização da população negra no Brasil. Escritoras e escritores negros que, com suas obras, tratam o afrodescendente não como tema e sim como ator principal de sua própria história.

Dando inicio ao evento, a grande homenageada será uma mulher que tem dedicado sua vida a derrotar preconceitos, tornando-se uma educadora reconhecida no Brasil e no exterior. A brasiliense Gina Vieira Ponte é criadora do premiado projeto “Mulheres Inspiradoras”, que incentiva a leitura de grandes autoras da literatura mundial e brasileira e instiga as crianças e adolescentes a contarem a própria história. A professora Gina fará a palestra de abertura da 4ª BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA, no dia 18, às 19h.

Antes dela, no sábado, dia 18, só que às 10h, a autora Miriam Alves, escritora emblemática da literatura negra no Brasil, conversa sobre “O racismo na cultura”. No dia seguinte, na mesa “Sexualidade em questão na literatura”, às 16h30, é a vez de Tatiana Nascimento falar de sua experiência com a criação de uma editora especializada em lançar livros de escritoras negras e LGBT. E na quinta-feira, dia 23, o rapper Gog, um dos maiores nomes do hip hop no Brasil, recebe convidados para falar sobre “A literatura oral da periferia”.

No sábado, dia 25, será dedicado à escrita premiada do nigeriano Chigozie Obioma, cujo romance lançado no Brasil “Os pescadores” tem sido celebrado mundo afora. Obioma fala sobre a literatura africana, entre 19h às 21h, com o tema “Uma África entre muitas áfricas”. E no dia seguinte, domingo, entre 14h às 16h, a mesa Distopias femininas terá Ana Maria Gonçalves como convidada. Ana Maria Gonçalves é autora do monumental “Um defeito de cor”, que apresenta a escravidão no Brasil como nenhuma outra obra.

A literatura negra estará presente ainda nos Espaço HQ e Espaço Z. No primeiro, ela deverá perpassar a conversa com o premiado quadrinista Marcelo D’Salete, que acaba de receber o Prêmio Eisner – o Oscar dos quadrinhos – pela obra “Cumbe”, que trata da escravidão. Já no Espaço Z, destaque para a poesia de Mateus Santana.

 

PROGRAMAÇÃO

18/08 – SÁBADO

10h às 12h: O racismo na cultura, com Miriam Alves

O RACISMO NA CULTURA – Como enfrentar o racismo que pesa até hoje sobre a cultura e como entender a influência que ele ainda exerce sobre o acesso aos bens culturais e valorização da produção cultural? Esse é o tema do encontro com a escritora Miriam Alves, pioneira na militância pela maior visibilidade da literatura negra no país.

19/08, DOMINGO

16h30 às 18h30: Sexualidade em questão na literatura, com João Silvério Trevisan, Alexandre Porto Vidal e Tatiana Nascimento

23/08, QUINTA-FEIRA

15h às 17h: A literatura oral da periferia, com GOG e convidados (* local: Café Literário)

A LITERATURA ORAL DA PERIFERIA – Sob o comando do rapper Gog, será debatida a vibrante literatura oral que vem sendo produzida nas periferias da cidade, sob a forma de desafios do rap.

25/08, SÁBADO

19h às 21h: Uma África entre muitas áfricas, com Chigozie Obioma

ÁFRICA E MUITAS ÁFRICAS – O premiado escritor africano Chigozie Obioma fala sobre seus romances “Os Pescadores” e “An Orchestra of Minorities” (a ser lançado em janeiro; sem previsão da tradução para o português) e traz reflexões sobre o sucesso de seu livro retratando sua Nigéria natal, um país de forte cultura urbana e também vítima de mazelas históricas comuns a muitas ex-colônias africanas, como a corrupção e as rivalidades étnicas. Obioma revelará sua experiência em falar a um público amplo que desconhece a variedade e a complexidade das culturas que se costumam mencionar sob o abrangente e superficial rótulo de “literatura africana”.

26/08, DOMINGO

14h às 16h: Distopias femininas, com Aline Valek e Ana Maria Gonçalves

DISTOPIAS FEMININAS – Duas escritoras que se lançam num universo onde predominam autores homens: a ficção fantástica. Ana Maria Gonçalves, conhecida pelo portentoso “Um Defeito de Cor”, lança neste ano “Quem é Josenildo”, uma narrativa assentada num tempo futuro em que São Paulo tornou-se independente do resto do Brasil. Aline Valek explorou esse campo e questiona a ideia de que literatura fantástica deve ser um gueto, apartado da literatura mais “séria”.

ESPAÇO HQ – 18 de agosto, às 15h

 A história afro-brasileira como inspiração – com Marcelo D’Salete

O quadrinista comenta como a pesquisa sobre a história do negro no Brasil lhe serviu de base para seus quadrinhos e como o passado brasileiro pode servir de inspiração para a criação de obras que instigam à reflexão e ajudam a entender o presente. Marcelo D’Salete acaba de ser receber o Prêmio Eisner, uma espécie de Oscar do universo dos quadrinhos pelo trabalho da graphic novel Cumbe, em que trata da escravidão. A obra foi lançada no ano passado nos Estados Unidos sob o título “Run for it”.

Curadoria: Pedro Brandt

ESPAÇO Z – Dia 24.08, 6ª feira, às 17h

 Poesia em múltiplas plataformas – com Mateus Santana

Do analógico ao digital, da caneta ao spray, do post ao pôster, da poesia escrita à poesia falada. Neste encontro com Mateus Santana – poeta que publica suas criações na internet, em cartazes pela cidade e ainda as declama em eventos de slam – serão abordados diferentes plataformas e possibilidades de escrever e divulgar poesia.

Curadoria: Henrique Rocha