Jovem candidato negro a deputado pelo Paraná é baleado e detido pela GMC

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Renato Almeida Freitas Jr., advogado criminalista, ativistas e candidato do PT a deputado estatual no Paraná, foi atingindo por balas de borracha à queima-roupa pela Guarda Metropolitana de Curitiba no último domingo (09) enquanto fazia panfletagem na Praça do Gaúcho, em Curitiba – PR.

Após uma abordagem policial violenta testemunhada por visitantes da praça, Renato foi conduzido de viatura ao Hospital do Cajuru e depois encaminhado para o 1º Distrito. O advogado foi palestrante no 24º Seminário Internacional de Ciências Criminais do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), onde abordou racismo e sistema de justiça criminal.

“Eu estava panfletando quando um guarda disse para que eu saísse da praça, após me recursar levei o primeiro tiro de borracha, ao virar de costa levei o segundo.” alegou Renato nas redes sociais sobre os instantes antes de ser arrastado até o carro da GMC. Não houve atendimento pelo SAMU e o advogado seguiu de viatura até o hospital.

No Hospital do Cajuru, Renato foi despido na frente dos guardas e após os procedimentos levado até delegacia do 1º Distrito onde foi ouvido e liberado em seguida. Sem nenhuma resposta para a abordagem, o candidato retornou para casa ainda na madrugada da segunda (10)

Retaliação inquisidora 

“Acredito que esse ato tenha sido uma represália ao processo administrativo que foi instaurado contra dois guardas da GMC que a dois anos me humilharam” se referiu Renato ao ocorrido em agosto de 2016 quando Renato foi preso e agredido por guardas municipais após uma abordagem policial à um grupo de jovens negros que ouviam rap.

A corregedoria da GMC abriu inquérito para averiguar o ocorrido e julgou necessária a instauração do processo administrativo contra os dois guardas. Renato foi ouvido como vítima na última quinta-feira (05).

“Isso que me aconteceu, é importante dizer, acontece todos os dias nas periferias e nas quebradas, nos lugares invisíveis onde não tem luz, não tem testemunhas e a policia pode fazer tudo que bem entender” concluiu o ativista.


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Imagem IBCCRIM

Nota PT

O PT enviou uma nota sobre o caso:

Nesta noite de domingo, 09, o candidato a deputado pelo PT Paraná, Renato Almeida Freitas, fazia panfletagem no centro de Curitiba e foi agredido pela Guarda Municipal que o atacou com balas de borracha e o levou preso. Nenhum motivo para a prisão e nem para a violência policial.

Da mesma forma, no dia 07, durante o desfile cívico, Edna Dantas, candidata a deputada estadual pelo PT-PR, realizava manifestação em prol da libertação do presidente Lula junto a outros militantes do partido e foram agredidos e detidos pela Polícia.

Nos dois casos, a única explicação para a perseguição é que ambos são negros, do PT e dos movimentos sociais. O que estamos vendo é uma assustadora onda crescente de violência e perseguição a quem se manifesta e luta a favor dos oprimidos.

Não houve nenhuma preocupação com os ônibus da Caravana do Presidente Lula que giram alvejados, estamos há seis meses sem saber quem matou Marielle e ainda o judiciário determina que não podemos nos manifestar em apoio a Lula.

Estive hoje acompanhando, logo que soube, o desenrolar da prisão arbitrária do Renato. Como estarei solicitando desde já apuração sobre desvio de função policial em ambos os casos.

Estou ao lado da Democracia e, portanto, lutando contra o estado de exceção que vivemos. Basta de perseguição! Basta de violência!