Prêmio Nobel da Paz é entregue desde 1901; veja quem foram os negros agraciados

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Desde a criação do Prêmio Nobel (Noruega, em 1901), alguns africanos já receberam o título oferecido aos que trabalham pela democracia e pelos direitos humanos.Nobel da Paz é um dos cinco Prêmios Nobel legados pelo inventor da dinamite, o sueco Alfred Nobel. Os prêmios de Física, Química, Fisiologia ou Medicina e Literatura são entregues anualmente em Estocolmo, sendo o Nobel da Paz atribuído em Oslo.

De acordo com a vontade de Alfred Nobel, o prémio deveria distinguir “a pessoa que tivesse feito a maior ou melhor ação pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz”.

Ao contrário dos outros prêmios Nobel, o Nobel da Paz pode ser atribuído a pessoas ou organizações que estejam envolvidas num processo de resolução de problemas, em vez de apenas distinguir aqueles que já atingiram os seus objetivos em alguma área específica. É, portanto, um prêmio Nobel com características próprias.

Confira os laureados:

1950 – Ralph Bunche (Estados Unidos)

Ralph Johnson Bunche, primeiro negro a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Intelectual e estadista negro, diplomata internacional, colaborador ativo na defesa dos direitos civis e pioneiro nas negociações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), foi laureado pelo sucesso que obteve nas negociações de um armistício israelo-árabe (acordos firmados por Israel e cada um dos países árabes vizinhos), na Palestina.

1960 – Albert Lutuli (África do Sul)

O primeiro africano a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, Albert John Luthuli Mvumbi foi defensor da não-violência e forte opositor do Apartheid. Lutou incansavelmente por uma África do Sul que pertencesse a todos os que nela viviam, fossem negros ou brancos.

1964 – Martin Luther King Junior (Estados Unidos)

O Prêmio Nobel da Paz foi concedido ao líder anti-racista Martin Luther King por sua defesa dos direitos civis e sua liderança na resistência pacífica pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos. Com apenas 35 anos de idade, ele se tornou a pessoa mais jovem a receber o prêmio.

1978 – Anwar al-Sadat (Egito) e Menahem Begin (Israel)

Como presidente, Sadat teve que lidar com o conflito de longa data do Egito com Israel e  buscou, então, a resolução  por meio de ações pacíficas. Em 1977, ele fez uma visita histórica a Israel, reconheceu o direito de Israel existir e ofereceu um acordo de paz. Mais tarde, Sadat participou de negociações de paz com o líder de Israel, Menachem Begin. Sadat e Begin dividiram o Prêmio Nobel da Paz em 1978. No ano seguinte, Egito e Israel assinaram um tratado de paz. Foi o primeiro tratado de paz entre Israel e um país árabe.

1984 – Desmond Tutu (África do Sul)

O primeiro negro a ocupar o cargo de Arcebispo da Cidade do Cabo. Após ser nomeado bispo, dirigiu a diocese de Lesoto (país vizinho) de 1976 a 1978, ano em que se tornou secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul. Sua proposta para a sociedade sul-africana incluía direitos civis iguais para todos; abolição das leis que limitavam a circulação dos negros; um sistema educacional comum e o fim das deportações forçadas de negros. Sua firme posição anti-apartheid – a política oficial de segregação racial – lhe garantiu, em 1984, o Nobel da Paz.

1993 – Nelson Mandela e Frederik de Klerk (África do Sul)

Em 1993, Nelson Mandela e Frederik Willem de Klerk eram agraciados com o prêmio Nobel da Paz pelos seus esforços para acabar com o apartheid na África do Sul.

Com formação acadêmica em Direito, Mandela dedicou boa parte de sua vida a causas humanitárias e defesa dos direitos humanos. Quando jovem, defendia a resistência não violenta. Foi julgado por traição, fugiu da polícia e recebeu a pena de prisão perpétua, que resultou no seu encarceramento por 25 anos. Deixou a cadeia apenas em 1990, para depois então tornar-se o presidente da África do Sul, em 1994, e conduzir uma política de igualdade e democracia no país.

O sul-africano Frederik Willem de Klerk foi presidente da África do Sul (1989 a 1994) e responsável por tirar Mandela da prisão. De Klerk é conhecido por terminar com a política de segregação racial no país. Em 1994, Nelson Mandela se tornaria presidente do país, com De Klerk como vice.

2001 – Organização das Nações Unidos (ONU) e o seu secretário-geral Kofi Annan (Gana)

Annan foi o primeiro negro africano a assumir o papel de principal diplomata do mundo, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele atuou como enviado especial da ONU à Síria, liderando os esforços para encontrar uma solução pacífica para o conflito. Annan ganhou o Nobel da Paz em 2001 por seu trabalho humanitário por um mundo melhor organizado e mais pacífico.

2004 – Wangari Muta Maathai (Quênia)

Wangari Muta Maathai foi uma professora e ativista política do meio-ambiente do Quênia. Foi a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel por sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz.

2009 – Barack Obama (Estados Unidos)

Logo após ganhar a eleição, o presidente dos EUA, Barack Obama, levou o Nobel da Paz de 2009, “pelos seus extraordinários esforços com vista a reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos e por seus esforços para reduzir os estoques de armas nucleares”.

2011 – Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iémen)

Da esquerda para a direita: Tawakul Karman, Leymah Roberta Gbowee e Ellen Johnson Sirleaf

A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a militante pela paz Leymah Gbowee, também liberiana, e a ativista Tawakkul Karman, uma iemenita que se destacou na onda de manifestações da Primavera Árabe no Iêmen, foram escolhidas pelo comitê norueguês do Nobel, que anunciou a escolha pela manhã, em Oslo. As três foram premiadas “pela luta pacífica pela segurança das mulheres e pelo direito de participar nos processos de paz, pois não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo se as mulheres não tiverem as mesmas oportunidades que os homens para influenciar os acontecimentos em todos os níveis da sociedade”.

2018 –  Denis Mukwege (Congo) Nadia Murad (Iraque)

Os escolhidos deste ano foram o médico congolês Denis Mukwege e Nadia Murad, mulher da minoria yazidi transformada em escrava sexual pelo grupo Estado Islâmico (EI) durante a ocupação de territórios da Síria e do Iraque.

Ambos foram recompensados “por seus esforços para colocar fim ao emprego das violências sexuais como arma de guerra”.Mukwege, de 63 anos, é o chefe do Hospital Panzi, na cidade de Bukavu. Aberta em 1999, a clínica recebe milhares de mulheres anualmente, muitas das quais solicitando cirurgias em decorrência de violência sexual.  dedicou sua vida a defender as vítimas da violência sexual em tempos de guerra.