É O Tchan prepara DVD de 25 anos: ‘Patrimônio do povo’

Beto Jamaica desmente saída de Compadre Washington do grupo

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Compadre Washington e Beto Jamaica, do É o Tchan. Foto: Marcelo Brammer / Estadão

Se versos como “pau que nasce torto, nunca se endireita” e “bota a mão no joelho, dá uma agachadinha” atraem remexidas involuntárias de quadril desde meados dos anos 1990, é sinal de que a teoria de Beto Jamaica, integrante do É O Tchan, faz sentido: o grupo, que completa 25 anos da primeira formação em 2019, é “patrimônio do povo”.

Para celebrar as bodas de prata, o artista adiantou ao E+ que um DVD com os principais sucessos da banda de axé está em produção, mas fez mistério sobre a participação de ex-integrantes como Carla Perez, Débora Brasil, Sheila Mello, Scheila Carvalho ou Jacaré.

“É surpresa. Vou te dizer que é um tema, que vão ter alguns personagens e que a gente vai trazer convidados para cantar os sucessos antigos”, resume Jamaica. A expectativa, segundo ele, é de que a gravação tenha como set a cidade de Salvador. “Estamos buscando o lugar. Vai sair um DVD bonito”, estima.

De acordo com o cantor, o projeto é pensado a partir do CD de verão, que será distribuído por serviços de streaming até o fim deste ano. “Estamos em estúdio gravando. O clipe da nova música de trabalho vai sair também, mas assim que a nova música começar a tocar”, explica.

Sabe de nada, inocente

Em julho deste ano, o perfil oficial e verificado do grupo no Instagram publicou um comunicado informando que “a diretoria da banda É o Tchan confirma a saída do cantor Compadre Washington dos vocais da banda, permanecendo apenas como sócio do grupo” após o carnaval de 2019.

Questionado sobre a possibilidade do É o Tchan voltar a se dissolver após o carnaval de 2019, com a saída de Compadre Washington do grupo, Beto Jamaica descarta a hipótese: “Eu não sei falar sobre isso. Sinceramente, eu não sei. O Tchan continua firme e forte. Eu e Compadre”.

Patrimônio Jamaica

Compositor de alguns sucessos da carreira do próprio É O Tchan, Beto Jamaica, que elenca Ralando o Tchan como hit favorito, diz não ser adepto da ‘censura do politicamente correto’ para escrever as músicas e defende que haja diversidade para agradar ao público.

“Continuo compondo canções alegres e dançantes com um pouquinho de duplo sentido. Uma música sensual. Não é sexual. Acho que tem espaço para todo tipo de música e público para a boa música e para a música mais ou menos.”

Se você ficou curioso para assistir ao novo DVD, é só torcer para não serem nove meses para ver o resultado.

Movimento do Beto

Em paralelo ao É o Tchan, Beto Jamaica e outros cinco cantores estrearam, em setembro, o Movimento do Beto. O projeto itinerante mistura MPB e samba de roda, passando pela batida urbana da capital baiana, onde os artistas residem.

“O ‘Tchan’ é aquela festa toda, com coreografia, aquela coisa alegre. O Movimento do Beto é voltado para o samba raiz e a gente canta muito MPB. É uma diferença muito grande. É para cantar, dançar e se emocionar”, descreve.

No repertório, o grupo importa sucessos de artistas como Tim Maia, Djavan, Lulu Santos, Milton Nascimento, Fábio Júnior e Benito de Paula. A principal aposta, porém, é em Rosas Vermelhas, composição de Paulo Jorge e Sérgio Passos, artistas baianos “das antigas”.

“Eles deram esse presente ao Movimento, mas não tinha ido para a rádio ainda. A música deu um boom. No show, a gente nem canta toda porque o povo canta tudo, graças a Deus”, comemora.

O Movimento do Beto sobe ao palco pela quarta vez desde que foi montado,  no bairro da Liberdade, em Salvador, com participação de Xanddy, do Harmonia do Samba, na próxima segunda-feira, 29. Ilê Aiyê e Tonho Matéria já participaram de outras edições.