Walmir Borges, a Jóia Rara da MPB

Em sua estreia como diretor musical do Troféu Raça Negra 2018, Walmir Borges, está preparando um espetáculo de primeira linha em homenagem ao rapper Mano Brown.

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Imagine um músico que já trabalhou com grandes ícones da musica brasileira. Imagine que esse músico também compõe, canta e produz. Agora imagine esse músico no elenco da produção do Oscar da Comunidade Negra!

Em sua estreia como diretor musical do Troféu Raça Negra 2018, Walmir Borges, está preparando um espetáculo de primeira linha em homenagem ao rapper Mano Brown.

Paulistano, nascido em uma família que tem a música na veia. Sua mãe é cantora e seu pai contrabaixista. Walmir Borges fez carreira acompanhando e produzindo grupo de samba e artista da chamada MPB, além de assinar a direção musical de diversos CDs e Dvds de sucesso.

O cantor, conhecido por músicas como “Joia Rara” e “Eu Você e Mais Ninguém”, apresenta um espetáculo musical recheado de surpresas e conta detalhes numa entrevista exclusiva ao Afrobrasileiros. Confira:

Afrobrasileiros: De que forma sua experiência em já ter acompanhado cantores como Paula Lima, a carreira solo e a participação como banda no programa do Faustão contribuíram e vão influenciar a direção musical do Oscar da Comunidade Negra?
Walmir Borges: Nesses trabalhos onde tive oportunidade de por a mão, tive a felicidade de aprender muitas coisas. A grandiosidade e o glamour da música negra com uma brasilidade geral (Paula Lima), a conexão da música ao tocar os corações das pessoas (solo), e o compromisso de fazer a música ser protagonista mas ao mesmo tempo ser parceira de toda uma grandiosidade que envolve o prêmio e os demais números do espetáculo.

Afrobrasileiros: Qual sua interação com o universo do RAP?
Walmir Borges: Minha interação vem desde muito menino pois sou da Zona Sul e tive logo cedo um contato com o rap ouvindo “Thaide”, os “Irmãos Metralha” além de “Sampa Crew”. Sobretudo, desde o meu primeiro trabalho solo tenho parcerias com os manos do Rap. Cito aqui: Rapin Hood em “Favelas do Brasil” (cd sala da música), Mvbil em “Marginal Menestrel” ft. Walmir Borges e “Ô vida” com Dexter (cd Melhor Momento)

Afrobrasileiros: Conta para os nossos leitores qual será o momento “joia rara”, como o nome de uma das canções de seu CD, durante a cerimônia do Troféu Raça Negra?
Walmir Borges: Acredito que no momento onde cantaremos musicas do Mano Brow com outras interpretações e encenações pode ser um ponto alto. Mas estou feliz de maneira geral com todos os números.

Afrobrasileiros: Sabemos que outros gêneros musicais serão contemplados, mas porque você quer trazer esse ecletismo para uma evento que ao primeiro olhar transmite a impressão que seria apenas contemplado pelo gênero que levou o homenageado ao estrelato? Você quer surpreender?
Walmir Borges: Mano Brown é um cara de periferia. Sobretudo periferia de Sp. Todos nós de uma geração parecida tínhamos os mesmos ídolos negros. E no âmbito musical, ele tinha como referência o samba e a blackmusic brasileira e mundial. Sendo assim, gostaríamos de contar e cantar a história dele desde os primeiros contratos com a música. Ao mesmo tempo que é natural ter essas influências, será surpreendente mostrar o quão é influenciado por outros sons a obra de Mano Brown.

Afrobrasileiros: Qual o maior desafio em promover essa diversidade musical?
Walmir Borges: O tamanho do prêmio e da representatividade que isso tem sobre nosso povo. Atingir ambas expectativas (público e idealizadores) e fazer com que a música e o repertório escolhido atinjam também de forma emocionante os presentes.

Afrobrasileiros: Quais seus planos após a conclusão desse trabalho?
Walmir Borges: Os trabalhos de produção musical não param (graças à Deus)! Agora estou terminando um documentário musical sobre Fernando de Noronha. Logo após início minha primeira turnê europeia começando por Portugal. E que tenhamos um ótimo 2019 cheio de esperança em tudo!