‘Os Originais’, da Netflix, conta histórias reais e inspiradoras

Série criada somente para as redes sociais mostra o empenho de pessoas para fazer a diferença no mundo

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Monique Evelle, de 24 anos, é considerada uma das novas vozes do feminismo negro. Foto: 'Os Originais' (2018)/Netflix/Reprodução

Histórias e personagens ficcionais podem ser uma fonte de inspiração para as pessoas. Se a fantasia faz isso, imagine o que os personagens da vida real podem fazer.

A proposta de inspirar o público com histórias reais deu origem à série Os Originais, da Netflix, lançada em 20 de novembro deste ano.

Com três episódios – dois já disponíveis -, a produção criada pela agênca AKQA, especializada em produtos digitais, foi feita exclusivamente paras as redes sociais da plataforma de streaming.

No primeiro episódio, conhecemos a história de Monique Evelle, de 24 anos, considerada uma das novas vozes do feminismo negro. Sem referências negras na infância, a jovem foi incentivada a ler e, com dez anos de idade, já ensinava outras crianças a ler também.

Empreendedora e ativista, Monique criou a Ong Desabafo Social, em 2011, para ajudar moradores de uma comunidade em Salvador a tirar seus sonhos do papel. “Acho que meu trabalho é fazer pontes entre o que a periferia tem a dizer e o que as pessoas que tomam decisões precisam ouvir”, afirma no documentário. “Meu trabalho é ouvir e dar voz às pessoas que não puderam se expressar como eu pude.”

Ela diz que tudo o que faz atualmente é para não existir no futuro, uma vez que a luta dela é pelo fim do racismo e do machismo na sociedade. No fim do episódio, é possível conhecer outros grandes exemplos de personalidades negras, todas com documentários na Netflix.

A primeira é Nina Simone, cantora negra que nasceu nos Estados Unidos e lutou no movimento pelos direitos civis. A artista, que influenciou cantores de todo o espectro musical – de Bono a John Lennon, de Kanye West a Antony and the Johnsons, passando por Christina Aguilera – morreu em 21 de abril de 2003.

Outro exemplo é Quincy Jones, de 85 anos, lendário produtor musical americano que trabalhou no álbum mais vendido de Michael Jackson, Thriller, de 1982. Por fim, o episódio apresenta Dr. Dre, rapper americano que foi figura de destaque na efervescente cena cultural dos anos 1980 e 1990.

Chandelly Kidman alegra crianças com câncer em um hospital de Teresina, no Piauí.
Chandelly Kidman alegra crianças com câncer em um hospital de Teresina, no Piauí. Foto: ‘Os Originais’ (2018)/Netflix/Reprodução

O segundo episódio, lançado na última quarta-feira, 19, traz a história de Dackson Mikael, jovem de Teresina, no Piauí, que desde de 2015 se transforma na drag queen Chandelly Kidman para alegrar crianças com câncer no Hospital São Marcos. “Eu não sei de onde veio tanta força para querer ser bicha aqui no nordeste”, diz.

Cercado, desde a infância, por frases comumente disseminadas pela sociedade em que o menino é estimulado ‘a ser homem’, ele afirma ter uma super poder ao realizar sua performance. “Me ajuda a vencer o preconceito, me ajuda a me expressar, levar alegria para as pessoas. Para mim, é pura arte, e muito de autoafirmação.”

Movido pelo amor, Chandelly Kidman ocupa um espaço que, geralmente, as pessoas não imaginam que uma drag queen pode estar. Para ela, essa transformação “foi muito importante, [para] entender que eu precisava me amar desde muito cedo. Não existe outra coisa que me mova a não ser o amor, foi o maior poder que foi direcionado a mim: poder me amar e amar outras pessoas”.

O episódio também apresenta outras três histórias de jovens heróis reais a serem celebrados, com produções na Netflix: Joshua: Teenager vs. Superpower, The White Helmets e Heroin(e).

O terceiro episódio da série tem previsão para estrear em janeiro. Enquanto isso, Os Originais já pode ser assistida nas redes sociais da Netflix.