Vai-Vai canta contra preconceito e em defesa das raízes africanas

Um dos carros alegóricos pede "Poder para o povo preto". E uma ala prega a diversidade, pedindo o fim da homofobia e do racismo

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A agremiação canta contra o preconceito e em defesa das raízes africanas. Um dos carros alegóricos pede "Poder para o povo preto". E uma ala prega a diversidade, pedindo o fim da homofobia e do racismo. Foto: Werther Santana/Estadão

Quarta escola a se apresentar na última noite de desfile, a Vai-Vai levou para a avenida o samba-enredo “O Quilombo do Futuro”. Representada pelas cores preto e branco, a escola de samba do Bixiga entrou no sambódromo por volta de 2h30 deste domingo, 3.

A agremiação canta contra o preconceito e em defesa das raízes africanas. Um dos carros alegóricos pede “Poder para o povo preto”. E uma ala prega a diversidade, pedindo o fim da homofobia e do racismo.

Como se fosse cantada por Griot, tradicional contador de histórias de nações africanas, a composição exalta as lutas do povo negro, destacando figuras religiosas, como Odoyá e Ogum, e políticas, como Nelson Mandela.

“Porque eu sou da pele preta / Quilombo do povo / Sou maior / Um privilégio que não é para qualquer um / Protegido e abençoado por Ogum”, canta a escola. A escravidão e o navio negreiro também são representados. “Ecoa o grito forte da senzala / Nos olhos brilha um novo amanhecer”.

Na ala das Rainhas Guerreiras, uma homenagem às Candaces, donas do Reino de Meroé, região do Egito, antes de Cristo. A proposta é fazer referência também a uma divindade antiga da guerra, que usava cabeça de leão – utilizada na fantasia banhada em dourado e vermelha.

Irmã de Marielle Franco, Anielle desfilou em carro alegórico da Vai-Vai. “Emoção enorme. O samba da Vai-Vai falava muito sobre ela (Marielle) e o que ela significou para gente nesse tempo enquanto viva e agora com esse legado”, disse ela ao G1.